Acne atinge todas as pessoas durante a vida

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde (MS) apontam que a acne está presente na pele de 80% dos brasileiros entre 15 e 25 anos. Problema é mais frequente na adolescência, mas fatores genéticos, hormônios e alimentação podem levar ao surgimento das temidas “espinhas” em qualquer idade. Tratamento precoce ajuda a evitar cicatrizes.

 

 

 

Acne atinge todas as pessoas durante a vida

 

Problema é mais frequente na adolescência, mas fatores genéticos, hormônios e alimentação podem levar ao surgimento das temidas “espinhas” em qualquer idade.


Dados divulgados pelo Ministério da Saúde (MS) apontam que a acne está presente na pele de 80% dos brasileiros entre 15 e 25 anos. Mais comum na adolescência, o problema, no entanto, pode se manifestar desde a infância até a fase adulta. A dermatologista Luciana Baptista, professora da Faculdade de Medicina da UFMG, sustenta a estimativa: “qualquer pessoa terá algum grau de acne durante a vida.”

Por isso, a importância de tratá-la precocemente, a fim de evitar a formação de cicatrizes, principalmente no rosto do paciente. De acordo com a dermatologista, a acne surge quando a glândula sebácea, que produz a secreção da pele, é estimulada por hormônios, fazendo com que a produção dessa secreção se torne elevada. Isso gera uma obstrução do folículo piloso, ou seja, a secreção sebácea não consegue sair pelo orifício na pele. Logo, a glândula aumentada gera um processo inflamatório, dando origem às espinhas.

“A acne pode ser não inflamatória, revelando somente cravos, ou inflamatória. Esta última pode deixar cicatrizes e quanto maior for o número de espinhas e a presença de nódulos e cistos, maior a gravidade”, adverte Luciana Baptista. A professora salienta que a causa do problema é multifatorial, estando envolvidos, principalmente, fatores genéticos e estímulo hormonal. Mas uma alimentação à base de carboidratos também pode contribuir: “geralmente, essas pessoas produzem muita insulina, que irá interferir na formação da gordura e na produção de hormônios.”


Tratamento

A orientação médica representa o melhor caminho e, no caso da acne grave, que não melhora com outros medicamentos existentes, o Sistema Único de Saúde (SUS) já oferece o tratamento mais eficaz, um medicamento baseado na substância isotretinoína.

Segundo a dermatologista, o tratamento dura cerca de seis meses e a cura completa ocorre em 70% dos pacientes, sendo que os 30% restantes devem manter um acompanhamento dermatológico para avaliação do melhor tratamento posterior, de acordo com a especificidade do caso.


A isotretinoína age na glândula sebácea, diminuindo sua secreção e a obstrução do folículo. Os efeitos colaterais mais comuns, que podem ser controlados pelo médico, consistem em olhos, narinas e lábios secos. A professora alerta para a complicação mais grave, caso a mulher que esteja tomando o medicamento, engravide: a malformação do feto.


Autoestima

Na maioria dos casos de tratamento com o medicamento, há melhoras significativas no humor do paciente, já que a acne afeta consideravelmente a sua autoestima. Por outro lado, “existem casos de pacientes que estavam tomando isotretinoína e apresentaram um quadro de depressão, mas a relação causal não foi definida”, afirma Luciana Baptista.

Ela explica que é relevante considerar o fato de que o problema é mais frequente na adolescência e que a depressão e outros quadros psiquiátricos podem ter início nessa faixa etária. Além disso, há a possibilidade de depressão no paciente com acne grave se o problema dermatológico está atrapalhando suas relações pessoais.

Para requerer o tratamento pelo SUS, gratuito, é necessário passar por uma avaliação prévia, que enquadre o indivíduo em uma série de critérios exigidos pelo MS. Isso acontece, inclusive, devido aos efeitos colaterais do medicamento.

Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG

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