Diabetes tipo 1 acomete principalmente crianças e adolescentes até 14 anos

O Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1) é uma doença crônica grave que afeta, especialmente, crianças e adolescentes. As alterações metabólicas agudas e crônicas do DM1 são decorrentes da deficiência de insulina e ocasionam elevada morbi-mortalidade.

Embora sua etiologia ainda não tenha sido completamente definida, a participação genética já é estabelecida e presume-se que fatores ambientais também tenham participação. Fato que ajudaria a explicar o crescente aumento na incidência, que vem sendo observado em várias partes do mundo.

Também tem sido observada maior ocorrência em crianças mais jovens. Um controle adequado com reposição da insulina leva à normalização do metabolismo e permite que a criança viva bem e tenha adequada inserção social. Alimentação saudável e prática de atividades físicas também são indispensáveis para a obtenção desse bom controle.

 

 

Diabetes tipo 1 acomete principalmente crianças e adolescentes até 14 anos

Doença ainda intriga os especialistas, que não descobriram o fator que desencadeia a enfermidade

O pequeno Eduardo Abras de Sena tinha apenas 2 anos quando apresentou os primeiros sintomas que indicariam um quadro de diabetes tipo 1. A sede incontrolável foi o primeiro sinal de que algo estava errado com o menino. "Ele bebia 200ml de água a cada 20 minutos e começou a urinar com muita frequência", relembra a mãe de Eduardo, Luciana Barros Abras de Sena. Profissional da área de saúde, a fisioterapeuta logo associou o comportamento do filho ao diabetes. "Fomos ao pediatra e ao endocrinologista pediátrico, que solicitou exame de sangue."

O resultado revelou glicemia em jejum igual a 498mg/dL, valor cinco vezes maior que o nível considerado ideal, que é de no máximo 99mg/dL. Internado às pressas sob o risco de entrar em estado de coma, o garoto teve os níveis de glicemia estabilizados, mas passou a conviver com uma rotina complexa. Quase dois anos depois do diagnóstico, ele segue uma dieta rigorosa baseada na contagem de carboidratos dos alimentos. Além disso, teve de aprender a lidar com uma média de cinco aplicações de insulina e oito medições de glicose diariamente.

Casos como o de Eduardo têm se tornado cada vez mais frequentes em todo o mundo e alimentam uma estatística preocupante. Somente em Minas, estima-se que 136.615 pessoas convivam com o diabetes tipo 1, conforme dados da Secretaria de Estado de Saúde. O número representa 10% do total de casos de diabetes registrados em território mineiro. Os outros 90% são compostos por pacientes com o tipo 2 da doença e também por mulheres diagnosticadas com diabetes gestacional. Mas o fato de os casos de diabetes tipo 1 representarem apenas um décimo dos diagnósticos não diminui a gravidade da situação.

O diabetes tipo 1 acomete principalmente crianças e adolescentes, e é uma das doenças endócrinas e metabólicas mais comuns entre menores de 14 anos, de acordo com estudo divulgado no início de janeiro pela Federação Internacional de Diabetes, que revelou também crescimento de pelo menos 3% no número de casos registrados no mundo anualmente.
A doença ainda intriga os especialistas, que não descobriram o fator que desencadeia o diabetes tipo 1. Sabe-se, no entanto, que é uma enfermidade autoimune. Por alguma razão ainda ignorada, o sistema imunológico do indivíduo passa a não reconhecer as células produtoras de insulina (hormônio responsável por regular o metabolismo da glicose no organismo) e as elimina do pâncreas. O resultado da ausência de insulina são níveis elevados de glicose no sangue, o que leva o paciente a um quadro de diabetes tipo 1.

Segundo a doutora em clínica médica e coordenadora do Ambulatório de Diabetes da Santa Casa de Belo Horizonte Janice Sepúlveda Reis, a doença pode surgir em qualquer fase da vida, mas 80% dos casos aparecem ainda na infância. De acordo com a especialista, os sintomas surgem assim que as células do pâncreas começam a ser destruídas. "A pessoa começa a sentir muita sede e urina muito. Também há bastante perda de peso em pouco tempo e fraqueza."

Ficar atento aos sinais é fundamental para que o paciente receba atendimento médico antes que os níveis de glicose no sangue cheguem a níveis críticos, o que pode provocar o coma ou mesmo levar à morte. "O nível de glicemia acima de 126mg/dL, em jejum, já indica o diabetes", afirma a especialista, que ressalta a importância de se repetir o teste antes da confirmação do diagnóstico.

HORMÔNIO SINTÉTICO Confirmado o quadro de diabetes tipo 1, o paciente vai depender permanentemente da aplicação de insulina, já que ainda não há cura conhecida para a doença. O hormônio sintético vai suprir a carência do componente original no organismo do diabético e regular o metabolismo da glicose. Em média, o diabético tipo 1 faz uso de insulina cinco vezes ao dia, mas o número de aplicações pode variar de acordo com a quantidade de refeições consumidas. Aliado à aplicação do hormônio, é fundamental que seja feita a medição da glicose com regularidade. Isso garante que os níveis se mantenham normalizados.

A aplicação do medicamento é indolor, desde que feita da forma correta, com base em orientação profissional. Como parte significativa dos doentes são crianças, o cuidado é ainda mais importante, pois evita traumas. Para tornar o momento menos desagradável e amenizar o incômodo, os pais podem recorrer ao próprio imaginário das crianças. Para Eduardo, por exemplo, as agulhas que provocam as picadinhas diárias têm nome. A perfuração para aplicação da insulina é feita pela "abelhinha". Já a "formiguinha" é a responsável pela medição regular da glicose. "O médico dele usou os termos uma vez e eu os adotei em casa. É uma forma lúdica de avisá-lo de que é hora da medicação", conta Luciana.

Outra medida que tem contribuído para proporcionar mais qualidade de vida ao diabético é a contagem de carboidratos. O nutriente está presente na maioria dos alimentos e é um dos componentes que mais afetam a glicemia, por ser convertido quase integralmente em glicose depois de ingerido. "Fazendo a contagem de carboidratos, o paciente vai descobrir que pode comer de tudo, desde que siga uma tabela que regula o consumo do alimento de acordo com a dose de insulina", afirma Janice.



Parceria



Em 28 de janeiro, o presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SDB), Balduíno Tschiedel, esteve reunido em Belo Horizonte com o secretário de Saúde de Minas, Antônio Jorge, para propor um convênio para o Projeto " SBD vai ao gestor", que estabelece parceria entre a SBD e o estado. O convênio tem como objetivo o estabelecimento de cooperação técnico-científica visando o desenvolvimento de atividades conjuntas de formação de recursos humanos, educação permanente, aprimoramento profissional e cooperação científica e tecnológica para o desenvolvimento da atenção ao diabetes no estado de Minas. O projeto visa, também, saber como está a situação da distribuição de insumos para os pacientes do estado e quais as dificuldades e prioridades no atendimento aos pacientes com diabetes.

 

Redação: http://www.em.com.br/app/noticia/tecnologia/2013/02/24/interna_tecnologia,352618/diabetes-tipo-1-acomete-principalmente-criancas-e-adolescentes-ate-14-anos.shtml

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