Gravidez planejada pode reduzir mortalidade materna

Nesta terça-feira (28), comemora-se o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna. Para uma gravidez segura, os médicos são categóricos e afirmam que a gestação não pode ser reduzida a evento natural, e sim, deve ser cuidadosamente planejada e acompanhada por profissionais competentes.

 

Mulheres que, para engravidar, esperam apenas o “momento certo” – aquele depois de aproveitar a vida, quando se adquire estabilidade financeira e um casamento feliz – podem estar à mercê de riscos que sequer conhecem. Aparte de todos esses preparativos, médicos são categóricos ao afirmar que uma gravidez não pode ser reduzida a evento natural, e sim, deve ser cuidadosamente planejada e acompanhada por profissionais competentes.

O ideal, segundo a professora do departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFMG, Zilma Reis, é que o preparo comece meses antes da gestação, com a decisão de se ter um filho. “A falta de planejamento está associada à morte materna acima do desejável. Temos no Brasil, atualmente, 77 óbitos de mães para cada cem mil bebês nascidos vivos”, lamenta a professora. A meta estabelecida pela Organização Mundial de Saúde é de 15 mortes por cem mil recém-nascidos.


Mulheres que decidem ser mães têm o direito de obter um aconselhamento pela rede pública. O primeiro passo é procurar um posto de saúde. “Se a mulher tem alguma doença e a desconhece, a situação pode ficar mais complicada ainda na gravidez”, afirma a professora. Entre as causas mais comuns de complicações no parto está a hipertensão, seguida de hemorragia e infecção.
De acordo com Zilma Reis, mais da metade das gestações não são planejadas. “É comum, nessas situações, que a mulher rejeite a gravidez e continue com hábitos nada saudáveis, como fumar e fazer uso de bebidas alcoólicas e drogas”.


Pré-natal


Feito o cuidado pré-concepcional, a grávida passa para a fase do pré-natal. Aquelas completamente saudáveis podem continuar com o acompanhamento em um posto de saúde próximo de sua residência. Mulheres com algum problema de saúde são encaminhadas para um centro especializado. “Elas terão atenção multidisciplinar, com médicos, enfermeiros e fisioterapeutas. É uma abordagem diferenciada, com maior frequência de exames de avaliação do feto, por exemplo”, explica a professora, que aponta os três primeiros meses da gestação como os mais imprescindíveis de acompanhamento.


Conhecer o local em que será internada também é aconselhável, já que pode trazer tranquilidade e confiança à futura mãe. “Ela vai saber bem a distância que a separa da maternidade, assim com a rotina dos profissionais do lugar, como é o atendimento”. Caso a gestante necessite de algum cuidado especial durante o parto, a equipe de médicos e enfermeiros será previamente informada sobre o assunto.


Pós-parto


Mesmo que, com o parto, o pediatra passe a ser o médico mais visitado pela família, o obstetra ou ginecologista não deve ser deixado de lado. “A mulher precisa se recuperar totalmente e ser estimulada a cuidar do bebê”, afirma a professora. Nesse período, ela poderá receber algumas instruções, como o tempo que deve esperar para engravidar novamente. “O ideal é que se aguarde dois anos”, instrui. Esse, segundo a médica, é o período suficiente para que ela se recupere de uma cesariana, por exemplo, ou de uma anemia comum em grávidas, e assim reduza as chances de aborto.

*Notícia publicada no boletim Saúde Informa - leia a edição completa

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