Maternidade: uma decisão que requer planejamento

Mulheres que, para engravidar, esperam apenas “o momento certo” - aquele depois de aproveitar a vida, quando se adquire estabilidade financeira e um casamento feliz - podem estar à mercê de riscos que sequer conhecem.

 

 

Maternidade: uma decisão que requer planejamento

*Notícia Publicada em Saúde Informa

 

Mais da metade das gestações não são planejadas. Acompanhamento médico antes mesmo da gravidez pode evitar complicações no parto.



Zilma ReisMulheres que, para engravidar, esperam apenas “o momento certo” - aquele depois de aproveitar a vida, quando se adquire estabilidade financeira e um casamento feliz - podem estar à mercê de riscos que sequer conhecem. Aparte de todos esses “preparativos”, médicos são categóricos ao afirmar que uma gravidez não pode ser reduzida a evento natural, e sim, deve ser cuidadosamente planejada e acompanhada por profissionais competentes.

O ideal, segundo a professora do departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFMG, Zilma Reis, é que o preparo comece meses antes da gestação, com a decisão de se ter um filho. “A falta de planejamento está associada à morte materna acima do desejável. Temos no Brasil, atualmente, 77 óbitos de mãe para cada cem mil bebês nascidos vivos”, lamenta a professora. A meta estabelecida pela Organização Mundial de Saúde é de 15 mortes por cem mil recém-nascidos.

Mulheres que decidem ser mães têm o direito de obter um aconselhamento pela rede pública. O primeiro passo é procurar um posto de saúde. “Se a mulher tem alguma doença e a desconhece, a situação pode ficar mais complicada ainda na gravidez”, afirma a professora. Entre as causas mais comuns de complicações no parto, está a hipertensão, seguida de hemorragia e infecção.

De acordo com Zilma Reis, esse “planejamento de gravidez” não ocorre, muitas vezes, simplesmente porque mais da metade das gestações não são planejadas. “É comum, nessas situações, que a mulher rejeite a gravidez e continue com hábitos nada saudáveis, como fumar e fazer uso de bebidas alcoólicas e drogas”.

Pré-natal


Feito o cuidado pré-concepcional, a grávida passa para a fase do pré-natal. Aquelas completamente saudáveis podem continuar com o acompanhamento em um posto de saúde próximo de sua residência. Mulheres com algum problema de saúde são encaminhadas para um centro especializado. “Elas terão atenção multidisciplinar, com médicos, enfermeiros e fisioterapeutas. É uma abordagem diferenciada, com maior freqüência de exames de avaliação do feto, por exemplo”, explica a professora, que aponta os três primeiros meses da gestação como os mais imprescindíveis de acompanhamento.

Conhecer a maternidade em que será internada também é aconselhável, já que pode trazer tranquilidade e confiança na futura mãe. “Ela vai saber bem a distância que a separa da maternidade, assim com a rotina dos profissionais do lugar, como é o atendimento”. Caso a gestante necessite de algum cuidado especial durante o parto, a equipe de médicos e enfermeiros será previamente informada sobre o assunto.

Pós-parto

Mesmo que, com o parto, o pediatra passe a ser o médico mais visitado pela família, o obstetra ou ginecologista não deve ser deixado de lado. “A mulher precisa se recuperar totalmente e ser estimulada a cuidar do bebê”, afirma a professora. Nesse período, ela poderá receber algumas instruções, como o tempo que deve esperar para engravidar novamente. “O ideal é que se aguarde dois anos”, instrui. Esse, segundo a médica, é o período suficiente para que ela se recupere de uma cesariana, por exemplo, ou de uma anemia comum em grávidas e assim reduza as chances de aborto.

 

Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG
jornalismo@medicina.ufmg.br

 

 

 

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