Saúde dos bebês

Um bebê nascido nas décadas de 50, 60 ou 70 podia demorar alguns dias de vida para tomar seu primeiro banho. Os anos passaram e alguns cuidados com os bebês ficaram também no passado. Por isso, dois professores do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina foram convidados para sanar dúvidas mais comuns e mostrar algumas das atuais indicações sobre os cuidados com os bebês.

 

 

Saúde dos bebês

*Notícia publicada no Saúde Informa

 

Um bebê nascido nas décadas de 50, 60 ou 70 podia demorar alguns dias de vida para tomar seu primeiro banho. Aqueles dos anos 80 e 90 dormiam de lado; quando não de bruços. Sobre a barriga, tampando o cordão umbilical, havia gazes e faixas. Quando ele soluçava, um fio de lã era o ‘remédio’ para por fim ao incômodo.

Os anos passaram e todos esses cuidados com os bebês ficaram também no passado. Estudos e pesquisas científicas vieram para mudar algumas crenças populares e trazer novas recomendações para as mamães, papais e responsáveis do século XXI. Para mostrar algumas dessas atuais indicações e sanar dúvidas mais comuns, o Saúde Informa convidou dois professores do departamento de Pediatria, Marcos Carvalho de Vasconcelos e Maria Albertina Santiago Rego.

Sono dos anjos

Nem de lado, nem de bruços. A recomendação oficial é a de que os bebês durmam de barriga para cima.
Marcos Vasconcelos: “Descobriu-se que a posição de bruços está associada à Sindrome da  morte súbita, que é o óbito sem explicação, sem causa evidente”.

Esqueça os brinquedos, almofadas, protetores e enfeites no berço. O bebê pode se sufocar.
Maria Albertina Rego: “Quanto menos objetos dentro do berço, melhor”.

Hora da refeição

O colostro, aquele líquido amarelado e mais espesso, expelido pelas mães nos primeiros dias de amamentação, é suficiente para o bebê em suas primeiras horas de vida.
Marcos Vasconcelos: “Ele é muito rico em anticorpos e serve, inclusive, para preparar o intestino da criança, que vai receber um volume maior de leite posteriormente” . Segundo o professor, 48 ou em até 72 horas após o parto, o leite materno começa a ser produzido normalmente.

Em situações normais, o bebê não precisa tomar água ou chá durante os primeiros seis meses de vida. O leite materno é o alimento capaz de suprir todas as suas necessidades.
Marcos Vasconcelos: “A criança só precisa do leite materno. Se ela fizer uso de leite artificial, sob indicação de um pediatra, pode ser que seja necessário tomar água ou chá. Mesmo assim, sem açúcar”.

Diarreia crônica pode ser sintoma de alergia à lactose.
Maria Albertina Rego: “É o principal sintoma, mas somente um médico pode dar esse diagnóstico”.

Cheirinho de bebê

Mesmo recém-nascidos devem tomar banho. A água morna, associada ao sabonete neutro, é importante para evitar infecções.
Maria Albertina Rego: “O período neonatal, de até 30 dias de vida, é de grande risco, quando há mais chances de adoecer e morrer. Muitas causas básicas de infecção já começam na própria gestação da mãe, mas existem muitas outras que podem estar relacionadas à higienização”.

Antes de tocar nos bebês, lave as mãos.
Maria Albertina Rego: “Esse é o hábito que todo mundo deve ter normalmente, que precisa ser cultivado. No caso dos bebês, é mais que imprescindível. Quando a mão está com alguma secreção, algo visível, lavá-las com bastante água e sabão. Em outras situações, pode-se passar o álcool em gel”.

Também é importante prevenir assaduras, causada pelo contato da fralda suja com a pele sensível dos nenéns.
Marcos Vasconcelos: “Toda vez que a criança urinar ou evacuar, é importante lavar, passar óleo mineral e uma pomada de proteção, um creme de barreira. Outra coisa que ajuda nas assaduras é manter a região geralmente coberta pelas fraldas algumas vezes mais exposta e bem ventilada e  uma exposição moderada ao sol”.

Que frio! Que calor!

Brotoeja é o nome popular da miliária, uma espécie de dermatite que têm várias causas.
Maria Albertina Rego: “O calor é a mais comum delas, mas o pediatria vai especificar o motivo para a miliária”.

O bebê pode estar em um ambiente com ar condicionado, mas é preciso tomar aqueles cuidados básicos de higiene com o aparelho.
Maria Albertina Rego: “A manutenção tem que estar em dia, com filtro trocado. É importante se ceritificar ainda se o ar não está sendo conduzido diretamente na criança. Observar também como está sendo a resposta do bebê, se há alguma reação adversa ou obstrução, por exemplo.. Quanto ao ventilador, é melhor evitar”.

O bebê deve estar bem agasalhado, mas não precisa empacotá-lo.
Marcos Vasconcelos:
“A criança não tem uma gordura cinzenta que serve como isolante térmico. Dessa forma, quando está frio, ela sente mais frio; se está quente, ela também sente mais calor. Ou seja, é melhor agasalhá-la um pouco mais e, no calor, observar se ela  está com o pescoço suado, o que pode significar que está com excesso de roupas. Não há necessidade de embrulhar o bebê igual a um charutinho. Agora, se ele se assusta facilmente - no chamado reflexo de moro - é aconselhável enrolá-lo  um pouco mais, permitindo que se sinta mais seguro ”.

Antes do cordão cair


Faixas, gazes e qualquer outro artifício deram lugar a uma recomendação principal: manter o cordão umbilical bastante limpo e seco.
Marcos Vasconcelos: “Se o responsável quiser, pode passar um álcool 70 graus para secar o local. E só. Não adianta enfaixar ou fazer nada semelhante. Não previne doenças e nem deixa o umbigo mais bonito”.

Vida dura

Em algumas situações, o bebê pode ingerir ar durante a amamentação. Quando o ar volta, há o arroto, que, acompanhado de leite, é chamado de regurgitação. Caso isso aconteça, é importante que o neném esteja ereto, para não se asfixiar.
Marcos Vasconcelos: “Após as mamadas, o bebê deve ser colocado com o tronco bem ereto na frente do peito da mãe. O ar, dessa forma, sai mais facilmente, evitando as cólicas e a regurgitação. Se a criança não arrotar em dez, quinze minutos, ela deve ser colocada de barriga para cima, com a cabeceira da cama elevada em 30 graus. Cerca de meia hora depois, a criança ao ficar um pouco inquieta deve ser voltada para a posição ereta e, geralmente, conseguirá  arrotar”.

Nem todo vômito é sintoma de refluxo.
Maria Albertina Rego: “Muita gente acha que, se o bebê vomitou, é porque tem refluxo. O diagnóstico desse problema é mais complexo e só pode ser feito por pediatra. Geralmente, envolve perda de peso na criança”

Mal não faz. Mas não há comprovação científica alguma de que lã na testa acabe com soluço.
Marcos Vasconcelos: “O soluço é a contração do diafragma. Ocorre logo após a amamentação ou pelo estímulo do frio. A solução é aquecer a criança e voltá-la ao seio”.

A cólica é o tormento dos bebês até o terceiro mês de vida, principalmente, quanto o intestino ainda está em fase de imaturidade. Para evitá-las, a orientação principal é garantir que o bebê esteja ‘pegando o seio’ de forma correta, evitando a entrada de ar. Quando a dor vem, é preciso ter calma.
Marcos Vasconcelos: “O posicionamento adequado da criança é de barriga para baixo, deitado sobre o antebraço do cuidador, com a palma da mão apoiando a barriga, ou de bruços sobre a barriga ou colo do pai, mãe ou cuidador. Nesse momento, não precisa se preocupar se a criança vai ficar dengosa. O que ela precisa é de muito aconchego. Pode-se colocar também um pano ou bolsa quente sobre o abdômen. Uma massagem suave também ajuda. E evitar fazer uso de medicamentos, que têm pouca valia e podem ter efeito colateral”.

Lazer

Viajar de avião só depois de 15 dias de vida.
Marcos Vasconcelos: “Depois desse período, não tem riscos”

Cães e gatos não precisam sair de casa com a chegada dos bebês. É só saber o espaço de cada um.
Maria Albertina Rego: “Não é para tirar os animais de casa só porque o bebê nasceu. Temos que evitar o contato direto. A toxoplasmose, por exemplo, é perigosa e transmitida principalmente pelo gato”.

A moda de colocar os bebês para nadar pode ser arriscada.
Maria Albertina Rego: “Em alguns países, essa prática é tradicional. No Brasil, normalmente, não há controle da água da piscina, o que pode ser perigoso. Então, pelo menos nos primeiros meses de vida, eu contra-indico”.

O bebê, nos seus primeiros meses de vida, pode sair de casa, mas é bom evitar alguns lugares.
Maria Albertina Rego: “Não levar para shoppings, festas, lugares com ambientes fechados, onde pode haver um monte de gente tossindo. O bebê deve estar em um carrinho com proteção lateral. Pode ir a algum lugar verde, por exemplo, um passeio rápido. Isso vai do bom senso da família”.

 

Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG
jornalismo@medicina.ufmg.br

 

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