Crianças com problemas visuais têm atraso na linguagem


O desenvolvimento da linguagem ocorre desde o nascimento e é determinante para garantir uma comunicação eficaz ao longo de toda a vida. No entanto, crianças com problemas de visão podem ter essa habilidade comprometida.

 

 

 

Protocolo de avaliação fonoaudiológica desenvolvido na Faculdade de Medicina da UFMG promete facilitar diagnóstico e assim possibilitar tratamento mais rápido

O desenvolvimento da linguagem ocorre desde o nascimento e é determinante para garantir uma comunicação eficaz ao longo de toda a vida. No entanto, crianças com problemas de visão podem ter essa habilidade comprometida. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento.

Em dissertação de mestrado defendida na Faculdade de Medicina da UFMG, a fonoaudióloga Janaina Couto, sob orientação da professora Erika Parlato-Oliveira, observou um grupo de vinte crianças, com idade entre dois e cinco anos, com alterações visuais ocasionadas por diversas doenças, como catarata, glaucoma e retinopatia da prematuridade, mas sem nenhum outro tipo de comprometimento neurológico, auditivo ou motor. “A intenção foi avaliar o impacto na linguagem advindo unicamente da baixa visão”, afirma a pesquisadora.


As crianças com maior comprometimento visual obtiveram piores resultados no desenvolvimento da linguagem. A fonoaudióloga também constatou que o desempenho do grupo analisado foi melhor na recepção do que na emissão das mensagens, o que reforça que a criança precisa entender bem a mensagem antes de reproduzi-la. Outro aspecto relevante apontado pela pesquisa está na importância de diminuir o intervalo entre o diagnóstico e o início da intervenção fonoaudiológica, que atualmente é de cerca 20 meses. Para a especialista, o ideal é que o tratamento comece imediatamente.



*Notícia publicada no boletim Saúde Informa. Leia a edição completa.


Novo instrumento de avaliação

Até agora, não existia um instrumento específico para a avaliação de crianças com déficit visual que possibilitasse uma intervenção eficaz para a correção do problema. Pensando nisso, a fonoaudióloga Janaina Couto desenvolveu um novo protocolo a partir de outros dois já utilizados por fonoaudiólogos, sendo um destinado a crianças de zero a dois anos e o outro para as idades entre um e seis anos.

O novo protocolo avaliou os aspectos de recepção e emissão das mensagens, além dos fatores cognitivos. Tarefas que necessitam da função visual para serem executadas corretamente foram excluídas. Alguns itens foram adaptados para que a criança pudesse utilizar outros sentidos. “O exercício que avalia a habilidade em ‘percorrer labirintos’ é um exemplo. No protocolo original, esse labirinto é desenhado, enquanto no nosso ele é feito com fita. Dessa forma, a criança pode sentir, por meio do tato, o caminho correto”, exemplifica.

Os resultados sugerem um cenário otimista. “Por volta de seis, sete anos, essas crianças conseguem se comunicar de forma satisfatória. Muitas vezes a família pode auxiliar este processo, descrevendo detalhes que permitam à criança internalizar as informações.” Assim, explica a autora, além da utilização da própria visão, ainda que residual, a criança pode ser exposta a detalhes de textura, forma, cheiro e sons para compensar a deficiência, o que acaba por contribuir para que ela desenvolva um vocabulário vasto.

“A intenção é de que esse novo protocolo seja amplamente aplicado por fonoaudiólogos em escolas, hospitais e consultórios, não apenas nas capitais, mas principalmente no interior, visando atendimento de qualidade no próprio ambiente da criança”, planeja Janaina Couto. Esse aprendizado, ressalta, proporcionará melhor qualidade de vida, especialmente nos casos em que o comprometimento visual é gradativo.

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