Diagnóstico precoce ajuda a viver com o daltonismo

O daltonismo é um distúrbio de visão caracterizado pela dificuldade em diferenciar as cores, especialmente o verde e vermelho. O diagnóstico precoce é fundamental para que o paciente desenvolva estratégias e alternativas para a realização de tarefas corriqueiras.

 

 

 

Para a maioria das pessoas, diferenciar as cores é quase tão natural  quanto conversar, se alimentar ou dormir. Este discernimento é essencial para a realização de inúmeras atividades cotidianas, desde a percepção de que é preciso parar no sinal vermelho até a escolha de peças de roupa que combinem entre si. Para os daltônicos, no entanto, reconhecer e distinguir cores são tarefas bem mais complicadas.


O daltonismo é um distúrbio de visão caracterizado pela dificuldade em diferenciar as cores, especialmente o verde e vermelho, como explica o professor do departamento de Oftalmologia e Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da UFMG, Galton Vasconcelos.  Segundo ele, o prejuízo do senso cromático geralmente é congênito, ou seja, a pessoa já nasce com ele; mas também pode acontecer na fase adulta, como consequência de outras doenças oftalmológicas que acometem a retina ou o nervo óptico. Em alguns casos, o daltônico não enxerga nenhuma das cores.

 

Diagnóstico


De acordo com o oftalmologista, é comum que o problema passe despercebido nos três primeiros anos de vida, quando a criança tem dificuldades de se expressar. “Geralmente pais e educadores começam a perceber a deficiência durante a execução de atividades escolares mais complexas, quando já é exigido que a criança discrimine cores, objetos  e formas”, observa. A indefinição de cores, sequências de cores ou de tonalidades específicas são as primeiras pistas de que a criança pode ser daltônica.


O diagnóstico precoce é fundamental para que o paciente desenvolva estratégias e alternativas para a realização de tarefas corriqueiras. “A família tem mais possibilidades de aprender a lidar com a deficiência, ajudar a criança a fazer adaptações e ensiná-la que as cores existem, sozinhas ou em sequência, ainda que elas não possam enxergar”, orienta.


Testes


Após a suspeita do problema, é preciso consultar um oftalmologista, que irá aplicar os testes necessários. A criança deve passar por um exame oftalmológico completo que,  entre outras funções, inclui a avaliação do senso cromático. Atualmente, a maioria dos testes realizados aplica-se a crianças a partir de três anos e trabalha com sequências de cores e números, que exigem conhecimento prévio para nomear os elementos.


Para permitir a avaliação de crianças mais novas, em fase pré-verbal, o Setor de Baixa Visão Infantil do Hospital das Clínicas da UFMG está desenvolvendo um novo teste, com foco no comportamento cotidiano. “A proposta é trabalhar com o pareamento de cores iguais, sem a necessidade de que a criança saiba o nome delas. Estamos estudando a utilização de tampinhas de garrafas PET para que o custo seja baixo”, adianta Galton Vasconcelos. Apesar de não definir o diagnóstico, o novo teste fornecerá pistas contundentes para a suspeita de daltonismo.


Herança Genética


Se há casos de daltonismo na família, o cuidado deve ser maior. Isto porque o daltonismo é um problema genético ligado ao cromossomo sexual X.  Os homens só apresentam um cromossomo deste tipo, e caso carreguem o gene, fatalmente a doença se manifestará, o que explica  o que explica a maior incidência na população masculina.


Por outro lado, as mulheres têm dois cromossomos X, sendo possível carregar a informação genética para o daltonismo em apenas um deles e enxergar normalmente. Para serem daltônicas, elas devem ter o gene nos dois cromossomos.


*Notícia publicada no Saúde Informa

 

Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG
jornalismo@medicina.ufmg.br

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