Número de cesáreas preocupa profissionais da saúde

Segundo dados do Ministério da Saúde, no Brasil, essa cirurgia já representa 52% dos partos, índice bem superior aos 15% recomendados pela Organização Mundial da Saúde. Assunto está na série "Gravidez saudável", do programa Saúde com Ciência.

 

 

Programa de rádio Saúde com Ciência desta semana destaca questões relacionadas à gravidez saudável, como direitos da gestante e planejamento familiar.

 

A hora do parto pode representar para pais e mães um dos momentos de maior tensão durante a gravidez. Se uma das preocupações recorrentes se refere ao medo da dor, outro fator também chama a atenção, tanto para os pais quanto para os profissionais da área de ginecologia e obstetrícia: o alto número de cesáreas realizadas atualmente no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde (MS), essa cirurgia já representa 52% dos partos, índice bem superior aos 15% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

Para a professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFMG, Eura Lage, essa situação preocupa mais no sistema privado. “A indicação para as cesarianas é mais flexível. Ela é feita pela vontade da paciente e até mesmo pela conveniência de programar o parto. Já no setor público não. Temos uma meta a cumprir, procurando manter o número em torno de 25% a 30% nos serviços de alto risco”, afirma.

 

Outra estimativa do MS indica que há uma “epidemia” na rede privada, já que o número de cesáreas representa cerca de 82% dos partos. As “cesáreas eletivas”, quando a mãe agenda o nascimento do bebê sem entrar em trabalho de parto, são ainda mais preocupantes, pois podem levar a complicações respiratóriasna criança, entre outros riscos. Eura Lage acrescenta que se a mulher tiver algum problema cardíaco ou ainda receio da dor, ela tem direito a analgesia. “Mas isso pode atrasar o trabalho de parto”, ressalta.

 

A má formação do feto, o histórico de cesáreas já realizadas pela paciente e as urgências obstétricas estão entre as causas necessárias para o procedimento cirúrgico. Esse último caso aconteceu com a gerente de loja Jusciléia Magalhães. “No último período da gravidez, a bebê assentou, então teve que ser cesariana mesmo”, conta.

 

Mas de acordo com a professora, quando não há complicações, o parto normal é sempre a melhor opção. “O tempo de internação é menor, no mínimo 24 horas para o parto normal e 48 horas para a cesárea. E a recuperação da paciente é muito mais rápida.” Além disso, a nova mamãe não sente a mesma dor pós-operatória e tem chances menores de ser acometida por infecções e hemorragias após o procedimento.

 

 

Tema da semana


A série Gravidez Saudável aborda temas relacionados à gestação, como os direitos trabalhistas da gestante, o aborto e a importância do pré-natal e do planejamento familiar. Confira a programação:


A importância do pré-natal – segunda-feira (24/06/2013)

Direitos da gestante – terça-feira (25/06/2013)

Aborto – quarta-feira (26/06/2013)

Planejamento Familiar – quinta-feira (27/06/2013)

E na hora do parto? – sexta-feira (28/06/2013)

 


Sobre o programa de rádio


O Saúde com Ciência é produzido pela Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. De segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h03, ouça o programa na rádio UFMG Educativa, 104,5 fm. Ele ainda é veiculado em 29 emissoras de rádio em Minas Gerais. Também é possível conferir as edições pelo site do Saúde com Ciência.


Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG
jornalismo@medicina.ufmg.br


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