Amamentar faz bem para a mãe e o bebê

Semana mundial de aleitamento materno, realizada de 1º a 7 de agosto, propõe o aconselhamento das mães para que não desistam de amamentar os filhos.

 

Preconceito, desinformação e mitos ainda são fortes barreiras para o correto aleitamento materno. Mas são vários os benefícios para a saúde dos recém-nascidos e das mães. Por isso, para assegurar que o bebê receba o aleitamento exclusivo pelo menos até o sexto mês de vida, aconselhar as mães é fundamental. Neste ano, o aconselhamento é, inclusive, tema da Semana Mundial de Aleitamento Materno, que será realizada de 1º a 7 de agosto.



A professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Maria Cândida Bouzada, presidente do Comitê de Aleitamento Materno da Sociedade Mineira de Pediatria, lembra que o leite materno possui, além de componentes nutricionais, elementos antiinfecciosos importantes para o adequado desenvolvimento neurológico dos bebês.



Ela cita recomendação da Academia Americana de Pediatria, publicada em 2012, que revela: quando amamentada pelo período recomendado, a criança tem 72% menos de chances de sofrer infecções respiratórias, incidência 64% menor de diarreias, além de menores riscos desenvolver otites e asma. Na vida adulta, o risco de obesidade também é reduzido.



Além disso, há indícios de que o leite da mãe pode prevenir até mesmo o câncer. A professora conta que alguns estudos constataram uma substância presente no leite, chamada Hamlet (human alpha-lactalbumin made lethal to tumor cells), que mata células tumorais.



E os benefícios não se esgotam nas crianças. Ao amamentar, a mulher libera um hormônio que ajuda o útero a voltar ao tamanho mais próximo do seu normal, evitando hemorragias no pós-parto ou infecções. “A mãe também perde peso mais rápido, tem menos chances de desenvolver câncer de ovário, de mama e diabetes tipo 2”, afirma Maria Cândida.



Preocupações

Diante das inúmeras vantagens, é preciso aconselhar as mães para que não desistam do aleitamento. Para a professora, alguns medos e dificuldades podem ser mais facilmente superados quando a mulher é orientada de forma correta pelos profissionais de saúde, no pré-natal, e por mulheres próximas que estão amamentando ou que já vivenciaram a amamentação. “São muitas as dúvidas e inseguranças nesse período, mas isso não deve prejudicar a amamentação”, ressalta.



Uma dúvida comum das mães é se o bebê está sendo efetivamente alimentado. A especialista explica que são vários os sinais que podem deixar as mamães mais seguras. De acordo com a pediatra, a criança dorme mais tranquila, ganha peso e precisa ter a fralda com xixi trocada pelo menos seis vezes ao dia quando está sendo suficientemente amamentada.



A amamentação também deve ser sem dor. Segundo a professora, a dor acontece por causa de problemas na mama, como fissuras, mastite – inflamação das glândulas mamárias, ou por pega incorreta da criança ao seio. “Para evitar que isso ocorra, o neném tem que abocanhar toda a área possível da auréola do seio. A pega incorreta pode ferir a mama e deixar o leite retido, provocando o chamado leite empedrado. Por isso, é um tripé que deve funcionar: a pega correta, o posicionamento correto da criança e a ordenha, quando necessário”, completa.

 

Mitos relacionados à estética também podem ser empecilho ao aleitamento. Muitas mulheres desistem de amamentar os filhos com o receio de que as mamas fiquem flácidas. Porém, a professora esclarece que a flacidez não está relacionada ao ato de “dar de mamar”, e sim a fatores genéticos, envelhecimento, ou à própria gravidez.



Doação

Apesar de todos os benefícios da amamentação, por motivos como a produção insuficiente de leite, nem todas as mães podem vivenciar esse momento. A pediatra orienta essas mulheres a procurarem ajuda do profissional de saúde,  nos postos de coleta dos centros de saúde, ou ainda nos Bancos de Leite Humano. “Dar leite de outra mãe para a criança, como era costume com as chamadas ‘amas de leite’, muitas vezes é a chave da salvação dos recém-nascidos”, afirma.



Além de ser um ato de solidariedade, a doação é importante na prevenção do surgimento de possíveis problemas de saúde para a doadora. “O leite doado é apenas o que está em excesso”, explica.



A doação do leite é realizada em centros especializados, obrigatoriamente vinculados a um hospital materno ou infantil. “O centro responsável pela promoção do aleitamento materno e execução das atividades de coleta garante a qualidade do leite. A distribuição do leite é realizada sob prescrição do médico ou de nutricionista”, conclui Maria Cândida.

 

Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG
jornalismo@medicina.ufmg.br

 

 

 

 

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