Dieta para crianças requer cuidado

Nas últimas três décadas, a obesidade infantil triplicou no país, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria. E controlar a alimentação de uma criança não é uma tarefa fácil.

Na desesperada luta contra a balança, muitos pais submetem seus filhos a dietas sem nenhum acompanhamento médico. Assim, o que poderia ser a solução de um problema, pode se transformar em perigo ainda maior no  desenvolvimento dos pequenos.

 

Guloseimas carregadas de açúcar e gorduras são as grandes vilãs da alimentação. Mas, segundo o professor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Paulo Pimenta, é um erro tentar impor às crianças dietas rígidas que cortam tudo que elas gostam.  “Para controlar o peso das crianças, não basta cortar o açúcar e as massas e achar que vai dar certo. Como estão em fase de desenvolvimento, elas ficam mais ávidas por esses alimentos”, conta.

 

Modismos como tirar do cardápio alimentos à base de trigo também podem não ser a melhor opção. “Esses alimentos fazem parte da história da sociedade. Toda cultura tem seus alimentos milenares derivados do trigo. Eles não precisam ser cortados para se ter uma dieta saudável”, afirma Paulo Pimenta. Para ele, a variação alimentar é muito benéfica e se a criança não tiver nenhuma intolerância a esses alimentos, é importante que eles sejam consumidos.

 

O professor ressalta que são os exageros que tornam qualquer alimento prejudicial. Segundo o Ministério da Saúde, 41,3% dos jovens comem guloseimas; 35,1% biscoitos e 33,2% refrigerantes em cinco ou mais dias na semana.  “Não considero que esses alimentos sejam uma porcaria. As crianças podem consumi-los, desde que em um horário de lazer e em pequena quantidade. Há duzentos anos, Hipócrates, pai da medicina, já alertava: se puder dar a cada indivíduo a quantidade exata, nem muito nem pouco dos nutrientes e de exercício, teremos encontrado o caminho mais seguro para a saúde”, ilustra.

 

Dietéticos

Já a substituição de alimentos tradicionais por light ou diet na tentativa de diminuir peso da criança nem sempre é recomendada.  Os produtos diet são aqueles que excluem algum ingrediente de sua composição, como açúcar, sódio e gorduras, geralmente em função de condições como diabetes e hipertensão. Os alimentos light, por sua vez, têm no mínimo 25% a menos de algum ingrediente ou de calorias, em comparação com a versão original.

 

A maior preocupação na hora de oferecer esses produtos às crianças é com relação aos adoçantes artificiais, como ciclamato, sorbitol, sacarina e aspartame, encontrados principalmente em alimentos doces como bolos, geleias, balas, biscoitos, sorvetes e iogurtes. “Apenas o médico ou nutricionista poderá orientar para a inclusão ou não desses alimentos no dia a dia das crianças”, alerta Paulo Pimenta.

 

Segundo ele, se a criança está acima do peso e precisa restringir calorias, uma boa saída é substituir os refrigerantes ou sucos de caixinha com açúcar, por exemplo, por sucos naturais, que não precisam ser adoçados.

 

Opção arriscada

Como os primeiros anos de vida de uma criança são cruciais para assegurar as bases para uma boa saúde, a dieta vegetariana pode ser um risco, por ser incompatível com as necessidades do desenvolvimento infantil.

 

“O uso aleatório de dietas não usuais pode causar sérios danos à saúde, como a deficiência de vitaminas e minerais nas principais funções do organismo; baixa ingestão de calorias, ocasionando um déficit de crescimento em crianças e adolescentes; além da restrição hídrica, que pode favorecer uma disfunção renal”, explica o professor.

 

Assim, a recomendação é para que os pais procurem apoio de uma equipe multiprofissional, composta por endocrinologista, nutricionista, dentre outros, antes de submeter os pequenos a qualquer tipo de dieta. “Para se tratar a criança obesa, por exemplo, é necessário fazer um exame de sangue completo para saber a dosagem de colesterol, de glicose, e se existe algum problema hormonal ou disfunção da tireóide”, orienta.

 

Mas, de acordo com o pediatra, o ideal mesmo seria um trabalho preventivo. “Ensinar a elas a importância de uma alimentação equilibrada e variada, com refeições fracionadas ao longo do dia, que garanta um crescimento e desenvolvimento saudável, será sempre a melhor alternativa”, conclui.

 

Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG
jornalismo@medicina.ufmg.br

 

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