Maioria dos estudantes se enxerga de maneira negativa

Levantamento da UFMG revela que 55% dos alunos de 10 a 19 anos têm imagens ruins de si e do mundo


 

Mais da metade das crianças e dos adolescentes de escolas públicas e privadas de Belo Horizonte tem imagens ruins de si mesmo e do mundo, de acordo com um estudo realizado pelo Núcleo de Promoção Saúde e Paz do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Essa visão negativa é motivada, dentre outros fatores, por brigas na família, insatisfações com a condição social e a aparência física, baixo desempenho nos estudos e falta de interação com amigos.

 

A pesquisa foi realizada com 1.199 alunos de 33 escolas, entre 2009 e 2012. Do total de estudantes entrevistados, com idades entre 10 e 19 anos, 658 (55%) afirmaram ter percepções negativas de si e do entorno – o que os especialistas chamam de autoconceito –, enquanto 541 (45%) tiveram uma visão positiva. A insatisfação foi maior ainda na faixa etária de 10 a 14 anos, na qual 57% dos participantes demonstraram baixa autoestima.



“Não esperávamos um resultado tão negativo, o que nos preocupa muito porque, quando o adolescente se vê dessa forma, a possibilidade de ele se envolver em atividades não saudáveis, como a violência, é muito maior”, afirma a coordenadora do Núcleo de Promoção Saúde e Paz, Elza Machado de Melo.



É o que aconteceu com uma jovem de 20 anos, que preferiu não se identificar. Ela contou que sofreu bullying durante toda a fase escolar por ser gordinha e tímida. “Eu não me achava capaz para nada. Em casa, não conversava com meus pais”, relata. Os resultados desse comportamento foram quatro anos de reprovação no colégio e o envolvimento com bebida, cigarro e droga. “Desenvolvi asma por causa do cigarro e, hoje, tenho até dificuldade para falar”, diz a jovem, que ainda não concluiu o ensino médio.

 



A autora da pesquisa, a psicopedagoga Lauriza Maria Nunes Pinto, explica que os conflitos em família e a baixa escolaridade dos pais são os fatores que mais contribuem para o autoconceito negativo entre os alunos de 10 a 14 anos. Já dos 15 aos 19, os motivos que pesam mais são a reprovação na escola, se sentir sozinho e não fazer parte de grupos sociais. “O estudo nos aponta o que deve ser melhorado em casa e na escola para reverter o problema”, conclui Lauriza.

 

Redação: http://www.otempo.com.br/cidades/maioria-dos-estudantes-se-enxerga-de-maneira-negativa-1.684142

 

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