Crianças em movimento

Atividades físicas na infância devem respeitar particularidades de cada faixa etária

 

A prática de atividade física regular desde a infância pode gerar benefícios para toda a vida. O bom hábito previne problemas como pressão alta, obesidade, diabetes, além de algumas doenças cardiovasculares em idade precoce.

Porém, para crianças e adolescentes, a prática merece cuidados especiais. Por apresentarem maior vulnerabilidade física e emocional, o estímulo aos exercícios deve variar conforme interesses e objetivos, observando-se as principais etapas do desenvolvimento infantil.

 

Segundo o professor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Benedito Scaranci Fernandes, existem estímulos fundamentais para o desenvolvimento motor, que variam de acordo com a idade da criança. Por isso, a orientação da atividade física deve ser individualizada, com diferente graduação para essas fases.

A partir dos seis meses de idade, a recomendação do especialista é para que o contato com água seja estimulado, ainda que o objetivo não seja aprender a nadar. Ainda no decorrer do primeiro ano de vida, as atividades indicadas para a criança são mais limitadas e é necessário auxílio dos pais para a escolha da melhor posição dos pequenos no momento dos exercícios.

“Nessa fase, eles ficam irritados se permanecerem por muito tempo na mesma posição”, explica o professor.
Quando a criança já consegue ficar assentada, a postura que deve ser estimulada é “a de sustento, sem que ocorra grande inclinação do tronco”. As tentativas de ajoelhar e mesmo de se levantar, de acordo com o professor, podem ser incentivadas com o uso de objetos chamativos.

Para facilitar as transições posturais e o ato de engatinhar, os cercadinhos e andadores devem ser evitados. Para o professor, é importante que as crianças tenham liberdade de locomoção em espaço amplo, para prevenir acidentes.

Movimento

Do primeiro ao sexto ano de vida, os estímulos ocorrem naturalmente, quando as crianças são colocadas em interação com as outras e à medida que são expostas a diferentes ambientes. “Isso tudo contribui para a criança aprender a correr, pular, andar de lado e para trás, agachar e subir degraus”, explica o professor.

Segundo ele, o desenvolvimento dessas habilidades deve ser acompanhado pelos pais que, gradualmente, podem deixar os pequenos ganhar autonomia. “Quando eles dominarem essas atividades é possível estimular outras mais complexas, como mergulhar, inicialmente ‘em pé’, arremessar e chutar bola, e, por fim, pegar objetos lançados, sempre por meio de brincadeiras”, recomenda.

Sem estresse

Benedito explica que, dos 7 aos 12 anos de idade, todos os atos motores já são possíveis. Embora seja o momento de iniciar a programação de atividades físicas sistemáticas, com horários determinados e uma rotina estabelecida, o ideal é que “as práticas esportivas rotineiras aconteçam em grupo e sem o incentivo a competições”.

“Tudo deve ser na base da brincadeira. Atividades como jogar bola e corrida devem ser incentivadas, mas de forma mais lúdica, realizadas na escola”, aconselha. Outro cuidado importante é com os problemas ocasionados pelo impacto. “O futebol, por exemplo, quando realizado de forma competitiva, pode provocar contusões, por ser altamente impactante”, ensina. O excesso de exercício também pode ser ruim para o desenvolvimento físico da criança.

Já na adolescência, período que vai dos 12 aos 18 anos, o incentivo aos esportes competitivos é recomendado. Porém, com ressalvas. “É preciso ter cuidado em relação a qualquer tipo de pressão emocional, como necessidade  de vencer ou de agradar ao técnico, ao professor ou à família. Isso é negativo ao desenvolvimento psíquico da criança ou adolescente”, conclui.

 


*Notícia publicada no Saúde Informa

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