Mortalidade cai, mas Brasil ainda aparece mal na comparação mundial

A taxa de mortalidade infantil despencou nos últimos 30 anos no Brasil, mas o país ainda tem muito a melhorar para chegar à taxa de países como China, Islândia e até mesmo do vizinho Chile, informou o IBGE.

 



 

 

Temos muito a comemorar no que diz respeito à redução da mortalidade infantil em nosso país. Esse fato representa o resultado de mais de 40 anos de ações continuas no campo da saúde e dos bens sociais, como saneamento, educação, trabalho, etc. Ainda que tenhamos muito avançar, precisamos reconhecer nossas conquistas!

Estamos vivenciando um fenômeno mundial no que diz respeito à continuidade da redução da mortalidade infantil. Quanto maior é esta taxa, maior é o componente pós-neonatal, ou seja, aquele que se refere aos óbitos que ocorrem entre 1 mês e 1 ano de idade. Este componente é muito sensível às políticas públicas, porque está diretamente ligado as condições de vida das crianças. No entanto, quando a taxa de mortalidade infantil começa a se aproximar dos 10% ela é fortemente influenciada pelos óbitos no período neonatal, cuja redução é ainda um desafio para muitos países. Estamos vivendo esta realidade e para avançar será preciso investir na qualidade do pré-natal, nas condições de nascimento e no cuidado perinatal. Além dos aspectos macroestruturais, aqui fica explicita a importância do fortalecimento da rede de atenção à saúde materno-infantil, desde o nível primário até a alta complexidade.

Não podemos deixar de ressaltar que, apesar dos progressos do país como um todo, ainda vivemos grandes iniquidades loco-regionais, como é o caso das diferenças gritantes entre o norte e o sul do Brasil. Essa realidade se esconde nos dados agregados, exigindo que nós, pesquisadores e profissionais de saúde, sejamos, ao mesmo tempo, críticos, propositivos e pró-ativos no sentido de ajudar o país a superar esta situação e garantir a vida de todas as crianças brasileiras.

Prof.ª Claudia Regina Lindgren Alves


 

 

Mortalidade cai, mas Brasil ainda aparece mal na comparação mundial

A taxa de mortalidade infantil despencou nos últimos 30 anos no Brasil, mas o país ainda tem muito a melhorar para chegar à taxa de países como China, Islândia e até mesmo do vizinho Chile, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Baseada pela primeira vez nos dados do censo 2010, a pesquisa sobre mortalidade infantil (morte entre crianças abaixo de um ano) mostrou que o Brasil evoluiu de uma taxa de 69,1% em 1980 para 16,7% em 2010, uma queda de 75,8%.

A última taxa de mortalidade baseado em um censo foi divulgado em 2003, com dados relativos ao censo de 2000.

"A taxa de mortalidade entre 1980 e 2010 caiu em todos os grupos de idade, mas, mesmo assim, ainda precisamos diminuir muito (a taxa) para nos aproximarmos da realidade das regiões mais desenvolvidas", disse o gerente do projeto da dinâmica demográfica do IBGE, Fernando Albuquerque.

A diferença entre as várias regiões do país também diminuiu em relação há 30 anos, mas o Nordeste continua liderando a taxa de mortalidade infantil, com 23 mortes em cada mil crianças abaixo de um ano, contra 97,1 mortes em 1980. A queda, de 74,1%, foi a maior entre as regiões em 30 anos.

"São vários os fatores, como os programas de transferência de renda, de saneamento básico, aleitamento materno, pré-natal, programa de saúde da família. Todas as idades de todos os grupos ganharam com isso", explicou.

De maneira geral, a expectativa de vida do brasileiro aumentou 11,3 anos nos últimos 30 anos, com a média de vida passando de 62,5 anos em 1980 para 73,8 anos em 2010. A elevação dessa expectativa levou o IBGE a aumentar a tábua de mortalidade de 80 anos para 90 anos.

As mulheres continuam vivendo mais do que os homens, fenômeno que tem como causa a violência das regiões urbanas. A média das mulheres passou de 65,69 anos para 77,38 anos e dos homens de 59,62 anos para 70,21 anos no período de 30 anos.

Entre os Estados, Santa Catarina passou o Rio Grande do Sul, que em 1980 tinha a maior expectativa de vida do país. Por outro lado, o Maranhão piorou nos últimos anos e tomou o lugar de Alagoas como Estado onde a expectativa de vida é menor entre os Estados da Federação, agora o segundo pior.

Em Santa Catarina, a expectativa de vida pulou de 66,6 anos para 76,8 anos, enquanto no Rio Grande do Sul foi de 67,8 anos para 75,9 anos.

Em Alagoas, a expectativa de vida é de 69,2 anos, contra 55,7 anos em 1980, enquanto o Maranhão passou de 57,5 para 68,7 anos.

Segundo a pesquisa do IBGE, o maior extremo na expectativa de vida no país seria a comparação entre uma mulher que vive em Santa Catarina e um homem que mora em Alagoas, uma diferença de 15 anos.

"Esse diferencial [15 anos] poderia ter sido melhor se não fossem os óbitos violentos que acontecem mais entre a população masculina", disse Albuquerque.

 

 

Redação: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/08/1320621-mortalidade-cai-mas-brasil-ainda-aparece-mal-na-comparacao-mundial.shtml

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