Jogar videogame contribui para aprendizado na infância

Programa de rádio apresenta série sobre benefícios e malefícios relacionados aos jogos eletrônicos


 

Quando o primeiro videogame surgiu, em meados da década de 1970, os jogos eram bastante rudimentares e exigiam pouco esforço dos jogadores. Por isso, o ato de jogar videogame era visto somente como forma de lazer. Mas com o desenvolvimento de narrativas virtuais mais profundas e, consequentemente, uma maior complexidade para se alcançar os objetivos, o jogador de hoje se depara com situações que exigem mais precisão, raciocínio lógico e coordenação motora. Desta forma, os jogos eletrônicos promovem habilidades que podem auxiliar no aprendizado, na socialização e até mesmo na reabilitação motora.


“O que foi observado nas pessoas que jogam videogame é que existe uma grande ativação da região que produz a dopamina”, explica a psicóloga e mestra pela Faculdade de Medicina da UFMG, Luciana Alves. “Essa dopamina é um neurotransmissor que vai permitir a troca de informações de uma área cerebral para outra”, completa.

 

Esse intercâmbio de informações leva ao aprendizado, que é facilitado quando o indivíduo sente prazer naquela ação. Além disso, outro fator que contribui para o desenvolvimento de uma nova habilidade é a motivação. A vontade de querer superar sua própria pontuação leva os jogadores a repetirem o raciocínio diversas vezes, e quando o jogo está em outra língua, como o inglês, esse contato também pode trazer benefícios. “É um tipo de aprendizado indireto da língua, mas muito eficiente”, afirma a psicóloga.

 

A relação entre o aprendizado e o videogame levou a Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, a desenvolver uma pesquisa para analisar os níveis de criatividade das crianças jogadoras. Após uma série de testes para a resolução de problemas, os pesquisadores concluíram que as crianças que já jogaram videogame conseguiam sugerir respostas mais criativas do que aquelas que não jogaram.


“O nosso cérebro responde aos estímulos do ambiente e uma criança menos estimulada pode ter dificuldades em executar uma tarefa”, comenta Luciana Alves. No entanto, ela lembra que esses estímulos cognitivos também devem ser obtidos através de outras ações. “A criança tem que desenvolver a motricidade fina e a motricidade grossa. Caso contrário, teremos uma criança cuja inteligência motriz será muito desenvolvida, mas do ponto de vista do corpo ela não terá um desenvolvimento tão bom”, ressalta.

 

Outro ponto a ser considerado nesse processo de aprendizado é a importância de uma boa noite de sono. Por isso, a psicóloga recomenda evitar o videogame pelo menos duas horas antes de dormir, além, claro, de jogar com moderação, já que os estímulos cognitivos costumam trazer dificuldades para o sono.

 

Tema da semana

A influência desses jogos em relacionamentos, comportamento e possíveis problemas oculares também é destaque. Confira a programação da sérieBenefícios e malefícios dos videogames:

Relacionamentos sociais em jogos online – segunda-feira (20/01/14)

Problemas para a visão – terça-feira (21/01/14)

Influência no comportamento – quarta-feira (22/01/14)

Desenvolvimento lógico e coordenação motora – quinta-feira (23/01/14)

Gameterapia – sexta-feira (24/01/14)

 

Sobre o programa de rádio

O Saúde com Ciência é produzido pela Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. De segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h, ouça o programa na rádio UFMG Educativa, 104,5 FM. Ele ainda é veiculado em 37 emissoras de rádio de Minas Gerais e Paraná. Também é possível conferir as edições pelo site do Saúde com Ciência.

Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG

jornalismo@medicina.ufmg.br

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