Tomografia ajuda a diferenciar asma e bronquiolite

Pesquisa utilizou protocolo de baixa radiação no exame, para reduzir risco de câncer em crianças

 

 

Asma grave e bronquiolite obliterante pós-infecciosa são doenças crônicas que obstruem as vias aéreas do pulmão.  Por terem sintomas semelhantes, são muito confundidas, o que dificulta o tratamento. Com o objetivo de evitar erros no diagnóstico, dissertação de mestrado defendida na Faculdade de Medicina da UFMG compara exames que ajudam a diferenciar as duas doenças.

 

O estudo transversal envolveu todos os pacientes encaminhados ao Ambulatório de Asma de Difícil Controle e ao Ambulatório de Pneumologia Geral do Hospital das Clínicas da UFMG, no período de 2010 a 2013. “Ao todo, foram analisados 20 crianças ou adolescentes com asma grave, entre 5 e 18 anos de idade, e o mesmo número com a bronquiolite obliterante”, relata Raquel Vidica Fernandes, autora da dissertação.

 

Segundo ela, antes de participar dos estudos, todos os pacientes tinham sido internados nos últimos 12 meses, sendo 30% em Centro de Terapia Intensiva (CTI). “As várias crises  podem levar ao remodelamento das vias aéreas, que não irão responder totalmente aos medicamentos. Isso ocasiona as internações”, explica.

 

Métodos não invasivos foram testados para avaliação da especificidade e da precisão dos diagnósticos: análise da citologia e citometria do escarro induzido, fração exalada do óxido nítrico (FeNO) e tomografia computadorizada de alta resolução*. Os resultados mostraram que a tomografia é o exame mais fidedigno para ajudar a diferenciar as duas enfermidades.

 

“Só as  alterações tomográficas apresentaram sensibilidade e especificidade de 95% e 100%, respectivamente, para discriminar as duas doenças”, afirma Raquel. O exame mostrou que alterações como dilatação dos brônquios, retenção de excesso de ar nos pulmões, redução volumétrica do pulmão e colapso de parte ou de todo o pulmão foram mais frequentes na bronquiolite obliterante do que na asma grave.

 

Redução de riscos


A pesquisa teve como diferencial a utilização de um protocolo de baixa radiação para a tomografia. “A irradiação aumenta o índice de câncer em crianças. Elas são irradiadas demais, pois fazem radiografia desde um ano de idade”, alerta a pesquisadora. O exame aplica dose quatro vezes menor de irradiação nas tomografias de tórax normal. “Fizemos os exames de irradiação sem prejudicar as crianças e conseguindo separar as doenças”, ressalta.

 

Raquel explica que o exame já faz parte de um protocolo internacional, mas que poucos radiologistas acreditam ser possível realizá-lo. “É possível utilizar o equipamento de forma mais eficiente, modificando apenas a dosagem. Basta que os radiologistas estejam treinados para isso”, garante. Com os resultados da tomografia, segundo a autora, foi possível fazer o diagnóstico e controlar os pacientes, sem morte ou internação de nenhum deles no CTI.

 

Semelhanças


A asma é a quarta doença mais prevalente no mundo todo, segundo a Organização Mundial de Saúde. Sua gravidade está relacionada ao grau de intensidade e à persistência das crises. Já a prevalência da bronquiolite obliterante não é muito conhecida. Está associada a doenças respiratórias do pulmão, provocadas por vírus comuns dos países em desenvolvimento, como os do resfriado. “É uma doença denominada órfã, pois não existem ainda protocolos definidos para tratamento”, afirma a professora do Departamento de Pediatria, Laura Lasmar, orientadora da pesquisa.

 

As duas doenças apresentam alta morbidade e levam crianças e adolescentes a terem uma qualidade de vida ruim. “A dificuldade do diagnostico vem do fato de a criança com bronquiolite iniciar com um quadro viral respiratório agudo, e isso leva a apresentar histórico de sintomas como falta de ar, tosse seca, chiado e opressão no peito, que são parecidos com o da asma”, explica a autora do estudo.

 

Segundo ela, com o diagnóstico errado, os pacientes são tratados a vida inteira sem melhoras significativas. As crianças e adolescentes com bronquiolite obliterante, por exemplo, podem chegar aos centros de referência para tratamento tardiamente, já com a doença avançada e muitas lesões pulmonares. “Por isso, a importância do diagnóstico precoce”, ressalta.

 

Serviço

Título: Asma grave refratária e bronquiolite obliterante pós-infecciosa em crianças e adolescentes: como diferenciá-las quanto aos aspectos tomográficos, funcionais e de marcadores não invasivos do processo inflamatório?

Nível: Mestrado

Autora: Raquel Vidica Fernandes

Defesa: 4 de outubro de 2013

Orientadora: Laura Maria de Lima Belizario Facury Lasmar

Programa: Saúde da Criança e do Adolescente

* Notícia publicada no Saúde Informa

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