Tecnologia para um parto mais seguro

Documentação do trabalho de parto reúne informações que ajudam a melhorar assistência

 

 

Notícia publicada no Saúde Informa

 

O partograma é um documento que permite visualizar a evolução do trabalho de parto. Nele devem ser inseridas informações sobre sua progressão, gerando um gráfico que possibilita reconhecer se tudo está ocorrendo como o esperado. A facilidade de visualizar qualquer desvio do habitual permite ao profissional intervir mais precocemente, quando necessário.


Apesar da notória importância do partograma, o obstetra Gabriel Costa Osanan identificou deficiências em seu uso. É o que revela a tese defendida por ele junto ao Programa de Pós-graduação em Saúde da Mulher da Faculdade de Medicina da UFMG. A pesquisa foi uma das agraciadas com o Prêmio UFMG de Teses, em 2013.


Gabriel Osanan analisou a utilização do partograma em maternidades públicas de Belo Horizonte e região, de 2011 a 2012. Ele entrevistou 53 profissionais, dentre enfermeiras obstetrizes, médicos obstetras e residentes, gestores e até advogados para entender as dificuldades de preenchimento e a opinião deles sobre o uso do partograma. Além disso, analisou seu uso na prática diária. “Os resultados encontrados foram preocupantes: o preenchimento completo do partograma foi encontrado na minoria dos casos”, relata. Ele também detectou que mais de 17% dos partogramas de um hospital da rede pública foram extraviados.


“Considerando a urgente necessidade do Brasil em reduzir as taxas de eventos adversos relacionados ao nascimento, resgatar, otimizar e incentivar o uso do partograma, no apoio à decisão clínica e gerencial, torna-se estratégia fundamental”, afirma Osanan.


Panorama


Estima-se que, no Brasil, dos 3 milhões de partos realizados por ano, 17,4 bebês falecem para cada 1 mil nascidos vivos e cerca de 72 gestantes falecem a cada 100 mil nascidos vivos, por causas associadas à gestação. As estimativas também mostram que 92% dessas mortes poderiam ser evitadas.


Para isso, seria necessária a avaliação da assistência hospitalar prestada ao nascimento, que muitas vezes é apresentada de forma incompleta. Mas sem os dados da assistência ao parto, torna-se difícil promover ações para reverter as ocorrências. Osanan menciona um estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em maternidades com perfil semelhante às da nossa rede, ou seja, com muitas pacientes assistidas por um número limitado de profissionais que se alternam em plantões (turnos). Ficou comprovado que o uso correto do partograma está associado à redução das intercorrências maternas e fetais durante o parto, além de reduzir o número de cesarianas.


Proposta


Para a melhoria na documentação dos atendimentos, Osanan propõe a informatização do partograma. Com isso, o preenchimento seria mais adequado e poderia oferecer informações de qualidade que ajudassem um médico ou uma obstetriz na assistência ao parto, ou mesmo um gestor de uma maternidade, no diagnóstico de dificuldades de logística no funcionamento de plantões. “Várias das propostas e expectativas apresentadas pelos entrevistados foram incluídas nas discussões de elaboração dos requisitos do sistema”, afirmou Osanan.


A intenção da pesquisa é transformar o partograma de papel, preconizado pela OMS, em um software adequado para o uso rotineiro nas maternidades de todo o país. “Quando pensamos na informatização, queríamos facilitar a disponibilidade dele, inclusive para a rede privada”, diz.

Usando um computador, o profissional só teria que inserir os dados coletados sobre o trabalho de parto e o próprio sistema faria o preenchimento do documento e sinalizaria problemas.


Documento legal


O partograma informatizado também poderá solucionar problemas relacionados à acessibilidade dos dados e à qualidade da informação. Gabriel Osanan lembra que este é um documento legal imprescindível para a defesa do profissional ou para mostrar à paciente que sua assistência foi feita de forma adequada. Portanto, o extravio é um importante ponto a ser solucionado. Com o partograma informatizado, seria possível imprimir uma segunda via, trazendo mais segurança e confiança para todos os envolvidos.


Título: Proposta de informatização do Partograma: análise dos processos assistenciais relativos ao seu uso e definição de requisitos do sistema
Nível: Doutorado
Programa: Saúde da Mulher
Autor: Gabriel Costa Osanan
Orientadora: Zilma Silveira Nogueira Reis
Coorientador: Renato Celso Ferreira (DCC-UFMG)
Defesa: 18 de maio de 2012

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