Sintomas do câncer infantil podem ser identificados

Diagnóstico precoce é a forma que permite um tratamento com mais probabilidades de sucesso

 

Os sinais e sintomas iniciais do câncer na infância e na adolescência, além dos fatores de risco da doença, foram os principais assuntos abordados nas perguntas recebidas pelo fórum virtual sobre o Diagnóstico Precoce do Câncer Infantil, realizado entre os dias 14 de maio a 11 de junho. As atividades foram promovidas pelo eixo Qualidade de Vida e Diagnóstico do Câncer na Infância e Adolescência, do Observaped.

De acordo com informações divulgadas no fórum, o câncer infantil aparece, em 70% dos casos, em crianças com até 14 anos. Diferente do câncer adulto, doenças malignas da infância, por serem predominantemente de natureza embrionária, são constituídas de células indiferenciadas, o que determina uma melhor resposta aos métodos terapêuticos atuais e maior probabilidade de cura. Mas, por atingir células indiferenciadas, os tumores têm uma taxa maior de multiplicação, e por isso são mais agressivos e evoluem rapidamente.

Portanto, o diagnóstico precoce é a ferramenta que possibilita um tratamento mais rápido e eficaz para crianças e adolescentes. Pais ou responsáveis devem ficar atentos a sintomas de origens indeterminadas, como febre persistente ou dores ósseas, articulares e generalizadas que não melhoram ao repouso e atrapalham as atividades do dia a dia. Dores de cabeça constantes por mais de duas semanas acompanhada de vômitos, sangramentos anormais, e ínguas em mais de um local. Brilho branco em um ou ambos os olhos da criança em fotografias com flash, além de perda de peso, fadiga e irritabilidade.

Entre os tipos de câncer mais frequentes na infância e na adolescência são destacados o linfoma (sistema linfático) e a leucemia (glóbulos brancos) que representam 30% do total de casos. Os cânceres do sistema nervoso central (encéfalo e medula espinhal), que são tumores malignos mais sólidos, também são comuns nessa faixa etária. Entre outros tipos de neoplasias na infância, são frequentes o neuroblastoma (tumor de células do sistema nervoso periférico), tumor de Wilms (renal), retinoblastoma (retina do olho), osteossarcoma (ósseo), e sarcomas (tumores de partes moles).

Alguns tumores podem ser detectados apenas no exame físico do pediatra. Por isso, o acompanhamento do médico deve ser mediado de acordo com a idade da criança e do adolescente. No primeiro semestre de vida, a frequencia deve ser a cada 30 dias, já no segundo, a cada dois meses. No segundo ano de vida é indicado que a criança consulte o especialista a cada três meses e do terceiro ano em diante, a cada seis meses até a puberdade.

Objetivos

De acordo com a coordenadora do eixo e professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Karla Emília de Sá Rodrigues, o objetivo é que o diagnóstico precoce aumente as chances de cura de crianças e adolescentes. “Esperamos que a divulgação dessas informações faça com que as pessoas procurem mais rapidamente assistência médica quando o surgimento de algum desses sinais”, afirma.

Para a professora, o projeto alcançou os objetivos acadêmicos, já que os alunos envolvidos puderam aumentar seus conhecimentos na área da oncologia pediátrica e da comunicação. “Eles tiveram a oportunidade de perceber a importância do médico na divulgação do conhecimento para a comunidade de um modo geral”, explica. Para os alunos envolvidos, o objetivo inicial era alertar a sociedade sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer infantil.

A aluna Elena Domingues Silveira, integrante do eixo, acredita que as pessoas atingidas pelas informações estão mais atentas sobre os principais sinais e sintomas do câncer infantil. “Agora elas poderão contribuir de alguma forma para que, cada vez mais, os tumores infantis sejam diagnosticados em estágios iniciais. Com isso, existirá uma melhora da sobrevida e redução dos efeitos colaterais do tratamento sobre essas crianças”, conclui.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Raquitismo

Variabilidade da frequência cardíaca pode determinar risco de morte nasepse

Recomendações sobre sono seguro