A relação entre transtorno bipolar e criatividade

Programa de rádio apresenta a série Bipolaridade Hoje e revela algumas curiosidades sobre o tema

 

marca-scc1A arte de Van Gogh faz parte desse contexto, assim como as atuações de Jim Carrey, Ben Stiller e Cássia Kis, e a música de Rita Lee e Britney Spears. A lista de artistas diagnosticados com o transtorno bipolar é extensa e, talvez por isso, a doença já foi relacionada à maior capacidade criativa do indivíduo.

Existem dois tipos clássicos da doença: no tipo 1, mais grave, a característica central são os episódios de mania, caracterizados por períodos semanais em que a pessoa fica completamente eufórica e impulsiva, com hábitos de grandeza e delírios constantes. Já no tipo 2, o paciente apresenta episódios de hipomania que, apesar de serem mais leves, são, em geral, mais difíceis de serem diagnosticados.

Segundo o professor do Departamento de Saúde Mental (SAM) da Faculdade de Medicina da UFMG, Fernando Neves, durante episódios hipomaníacos, ou seja, a mania mais branda, a pessoa pode ter novas ideias e se tornar mais produtiva. “Recentemente, também se descobriu que as pessoas com transtorno bipolar teriam algumas capacidades suprassensoriais, ou seja, sentem as coisas de um jeito diferente. Por exemplo, o sabor de algo, uma estimulação maior pra dar respostas corretas no momento correto”, revela.

Neves acrescenta que o artista, ao desenvolver uma obra importante, pode ter uma percepção melhor da realidade, juntamente com uma confiança maior de apresentar aquele trabalho para o público. Pensando na doença como um todo, porém, ele faz uma ressalva: “A tendência é a pessoa ir perdendo essas capacidades cognitivas, então a gente vê que a maioria desses artistas, apesar de obras geniais, teve uma vida curta. Um exemplo disso é o próprio Van Gogh, que não viveu tempo suficiente para colher os frutos do seu trabalho”.

Algumas dificuldades do diagnóstico também são citadas pelo especialista. Como ele é baseado em estudos retrospectivos, com uma entrevista do histórico de vida do paciente, é comum o indivíduo associar o início dos seus sintomas aos 12 ou 13 anos. “O que acontece é que esses sintomas não são iguais aos que são apresentados em adultos, então é muito difícil você conhecer uma criança que tenha sintomas típicos do transtorno”, conta.

Além disso, os episódios de euforia já citados não são o que predomina na bipolaridade – a fase depressiva é a mais duradoura em ambos os tipos. “A cada quatro episódios de depressão no tipo 1, nós temos um episódio de mania. No tipo 2, a cada 37 episódios de depressão, nós temos só um de hipomania,” contabiliza Fernando Neves.

Como é uma doença ligada ao cérebro, órgão bastante complexo, o transtorno bipolar ainda não foi totalmente mapeado. Sobre suas causas, por exemplo, é sabido que fatores ambientais, como abusos na infância, e genéticos – parentes mais próximos de pessoas com a doença têm mais chances de desenvolvê-la –, influenciam no seu desenvolvimento.

Por isso, a professora Tatiana Mourão, também do SAM, , indica como o transtorno bipolar e outros transtornos mentais devem ser observados: “Nós ainda sabemos muito pouco, mas sempre que formos estudar essas doenças não podemos ficar com uma visão somente dos sintomas. Temos que entender como funciona o cérebro e de que forma esse funcionamento está causando ou não os sintomas mentais, por exemplo, dos transtornos bipolares”, finaliza.

Tema da semana

O tratamento da bipolaridade, cada vez mais eficaz, também é destaque. Confira a programação:

Principais tipos – segunda-feira (07/06/14)

Principais causas e indefinições – terça-feira (08/07/14)

Comportamento bipolar – quarta-feira (09/07/14)

Tratamento do transtorno – quinta-feira (10/07/14)

Mitos e verdades – sexta-feira (11/07/14)

Sobre o programa de rádio

O Saúde com Ciência é produzido pela Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. De segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h05, ouça o programa na rádio UFMG Educativa, 104,5 FM. Ele ainda é veiculado em 39 emissoras de rádio de Minas Gerais, Paraná e Estados Unidos. Também é possível conferir as edições pelo site do Saúde com Ciência.

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