Remédio para a alma, corpo e mente

Saúde com Ciência reapresenta série sobre musicoterapia e destaca seus benefícios na recuperação física e mental de diversos pacientes.


saudecomcienciaDizem que a música é o remédio para a alma, afinal, quem canta os males espanta. Para quem é adepto da musicoterapia, essa afirmação não poderia estar mais correta. O tratamento é reconhecidamente eficaz na reabilitação física e na recuperação mental de pacientes com incapacidades neurológicas. Além disso, a prática musical utilizada durante as sessões contribui para o desenvolvimento de funções cognitivas ligadas à memória, atenção, sensibilidade, sociabilidade e aprendizado.

“A música auxilia muito por ser um mediador de respostas de habilidades diárias do indivíduo. Ela estimula o cérebro todo”, comenta Cybelle Loureiro, musicoterapeuta e professora adjunta da Escola de Música da UFMG, que destaca ainda que as canções e melodias são fundamentais para o desenvolvimento infantil durante a primeira infância.

Essa estimulação musical também contribui para o tratamento de pacientes em estágios iniciais de doenças degenerativas. Em 2010, um estudo realizado pela Universidade de Boston (EUA), demonstrou que pacientes com Alzheimer conseguiam memorizar melhor as mensagens quando elas eram transmitidas cantadas. “Durante as fases iniciais da doença, a performance musical ainda é muito ativa no paciente. Por isso, ela desempenha um importante papel na estabilidade, uma vez que o indivíduo se vê capaz de ter uma melhora nas suas funções cotidianas”, afirma o professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina e da Escola de Música da UFMG, João Gabriel Marques, especialista em neuropsicologia da música.

Nos casos de pacientes em reabilitação física, a música pode desempenhar um papel importante na comunicação. Pacientes com esclerose múltipla, por exemplo, costumam ter as vias de fonação comprometidas, que se fortalecem através do canto. Outro caso curioso são pessoas que sofreram um acidente vascular cerebral (AVC). Mesmo incapacitados de falar, esses pacientes conseguem cantar e utilizam desse recurso para se comunicarem. “Isso é uma característica do procedimento hemisférico da música, que tem aspectos linguísticos. É o que nós chamamos de Terapia de Entonação Melódica Modificada, em que tentamos mostrar que está ali a capacidade de falar”, explica Cybelle Loureiro. “É lógico que não vai ser uma fala como era antes (do AVC), mas o indivíduo consegue se comunicar bem. É uma fala cantada”, ressalta.

[caption id="attachment_41064" align="alignleft" width="300"]musicoterapia Foto: reprodução internet[/caption]

Para induzir a estimulação cerebral, o musicoterapeuta interage com o indivíduo por meio de fontes sonoras como instrumentos tradicionais e de percussão. Na hora de escolher a terapia mais indicada, são levadas em consideração quatro experiências musicais: a de ouvir, praticar, compor e cantar uma canção. A escolha é feita de acordo com o histórico do paciente, suas habilidades e limitações.

Tema da semana:

A musicoterapia é a utilização de componentes musicais – melodia, ritmo, harmonia – em um processo terapêutico que busca facilitar a comunicação, desenvolver o aprendizado, a mobilização e a expressão para atender as necessidades físicas, mentais, sociais e cognitivas de um paciente. Durante esta semana, o Saúde com Ciência reapresenta a série sobre o tratamento e destaca como essa prática pode ajudar qualquer indivíduo, inclusive portadores de doenças degenerativas, como a esclerose múltipla e o Alzheirmer, e com locomoção debilitada. Além disso, também são demonstrados seus benefícios no aprendizado infantil e na socialização de crianças autistas.

Confira a programação:

O que é musicoterapia? – segunda-feira (28/07/17)

Aprendendo com a música – terça-feira (29/07/14)

Reabilitação física através da música – quarta-feira (30/07/14)

Música para a saúde mental – quinta-feira (31/07/14)

Quem canta, os males espanta: inclusão social – sexta-feira (01/08/14)

Sobre o programa de rádio

O Saúde com Ciência é produzido pela Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. De segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h, ouça o programa na rádio UFMG Educativa, 104,5 FM. Ele ainda é veiculado em 38 emissoras de rádio de Minas Gerais, Paraná e Estados Unidos. Também é possível conferir as edições pelo site do Saúde com Ciência.

 

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