Conheça a febre chikungunya

Programa de rádio apresenta série sobre doenças emergentes e pouco conhecidas no Brasil, como a febre chikungunya

saudecomcienciaAntes registrado na África, Europa e Ásia, o vírus chikungunya (CHIKY) já chegou aos países latino-americanos. Em regiões que fazem fronteira com o Estado do Amapá, como a Guiana Francesa, a doença tem se propagado rapidamente. Além disso, segundo o Ministério da Saúde, já são mais de 20 casos notificados no Brasil, todos eles importados.

Um dos mais recentes foi confirmado na última terça-feira, 19, no município de Santana, a 17 quilômetros de Macapá, capital do Amapá. De acordo com o laboratório que fez o diagnóstico, a contaminação não ocorreu no Brasil.

[caption id="attachment_41629" align="alignleft" width="300"]Aedes aegypti (foto) e Aedes albopictus, mosquitos transmissores da dengue e da febre amarela, podem espalhar o novo vírus pelo país. Foto: Reprodução / Internet Aedes aegypti (foto) e Aedes albopictus, mosquitos transmissores da dengue e da febre amarela, podem espalhar o novo vírus pelo país. Foto: Reprodução / Internet[/caption]

O paciente sentiu sintomas semelhantes aos da dengue: febre, mal-estar, dores pelo corpo, apatia e cansaço. Existe, no entanto, um sintoma mais próprio do chikungunya, responsável pelo nome do vírus: as dores intensas na coluna. “Na língua Makonde, falada em alguns países africanos, chikungunya significa ‘aquilo que se inclina para cima’. A pessoa sente uma dor tão forte que pode até ficar meio envergada”, explica a coordenadora do Centro de Informações e Estratégia em Vigilância em Saúde de Minas Gerais, Tânia Marcial.

A doença que ameaça se disseminar no Brasil pode ser transmitida pelo mosquito Aedes albopictus ou pelo Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue, que se prolifera com facilidade em determinadas épocas do ano. “Se o vírus chegar, tem tudo para se proliferar no nosso meio, porque as pessoas daqui não têm imunidade. Por isso estamos vigiando bastante o chikungunya”, acrescenta a coordenadora.

Por outro lado, o novo vírus é menos letal se comparado com o vírus da dengue. “Complicações mais sérias são raras”, avalia a infectologista e professora do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina, Marise Fonseca. Em idosos, no entanto, caso a infecção esteja associada a outros problemas de saúde, ela pode até provocar óbito.

Como não existe cura para a doença e vacinas para preveni-la ainda estão sendo estudadas, o tratamento é voltado para o alívio dos sintomas. Os sintomas duram, em média, de dez a 15 dias, desaparecendo em seguida. Porém, é possível que as dores permaneçam por meses e até anos.

Sendo assim, a melhor saída é, segundo Marise Fonseca, a prevenção. “As regras são as mesmas da dengue. É importante o trabalho coletivo para ajudar a controlar os focos de mosquitos, criar redes de saúde para que os profissionais estejam aptos para o diagnóstico precoce, e medidas como evitar água parada”, orienta. No caso de surtos, pode ser aconselhado ainda o uso de inseticidas e telas protetoras nas janelas das casas.

Tema da semana


Toda vez que um agente novo surge ou um agente que já era conhecido torna-se diferente, trazendo complicações em termos de tratamento, estamos lidando com uma doença emergente. Neste Saúde com Ciência, conheça alguns casos no Brasil e as principais formas de prevenção. Confira a programação:


A febre chikungunya – segunda-feira (25/08/2014)


Aids, doença emergente – terça-feira (26/08/2014)


Meningite eosinofílica – quarta-feira (27/08/2014)


A poliomelite pode voltar? – quinta-feira (28/08/2014)

Dicas para controlar as doenças emergentes – sexta-feira (29/08/2014)


Sobre o programa de rádio


O Saúde com Ciência é produzido pela Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. De segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h05, ouça o programa na rádio UFMG Educativa, 104,5 FM. Ele ainda é veiculado em 53 emissoras de rádio de Minas Gerais, Paraná e Estados Unidos. Também é possível conferir as edições pelo site do Saúde com Ciência.

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