Projeto visa melhorar relação entre bebês prematuros e mães

Coordenado por professores da UFMG, o estudo será financiado pelo governo canadense através da instituição “Grand Challenges Canada”.

 

 

A pesquisa “Fostering the development of premature babies through stronger family well-being” pretende incentivar boas práticas das famílias com bebês prematuros, na tentativa de melhorar o vínculo com o recém-nascido e estimular o desenvolvimento infantil. Coordenado por professores da UFMG, o estudo será financiado pelo governo canadense através da instituição “Grand Challenges Canada”.

 

De acordo com a professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG e umas das coordenadoras do projeto, Cláudia Regina Lindgren Alves, os bebês prematuros são um grupo de maior vulnerabilidade, e têm um risco maior de atraso no desenvolvimento, e por isso é necessário buscar formas de prevenir e atuar para minimizar este problema.

 

A professora do Departamento de Terapia Ocupacional da EEFFTO da UFMG e sub-coordenadora do Ambulatório da Criança de Risco do Hospital das Clinicas da UFMG, e também coordenadora do projeto, Lívia Magalhães, destaca que os recém nascidos prematuros nascem frágeis e passam muito tempo internados, podendo comprometer o vínculo inicial mãe-bebê. “Vários fatores podem dificultar o vínculo, pois o início de vida é diferente, dentro de uma unidade de tratamento intensivo, com muitos aparelhos e uma equipe que entra e sai, ao invés do quarto tradicional e o colo dos pais”, explica.

 

A equipe do projeto conta com professores da Faculdade de Medicina, do Instituto de Ciências Biológicas, da Enfermagem, da Terapia Ocupacional, em parceria com profissionais do Hospital Sofia Feldman, além de estudantes de pós-graduação da UFMG.

 

O trabalho de campo deve começar em janeiro. Cláudia explica que a proposta trabalha o conceito de inovação integrada, que pressupõe que o conhecimento científico produzido pela pesquisa precisa ter também um significado social e econômico. “Para podermos concorrer ao edital tivemos que pensar em um projeto que tivesse essas características: ser inovador no campo científico, social, e que fosse viável do ponto de vista econômico”, explica.

 

Pesquisa e metodologia

Ao todo, 520 crianças serão seguidas, gerando aproximadamente três mil atendimentos em dois anos, no Hospital Sofia Feldman. Cláudia conta que a instituição foi escolhida por ser pioneira e inovadora em uma série de boas práticas em saúde materno-infantil, além de ser referência para o nascimento de um grande número de prematuros.

 

No Hospital, a Casa do Bebê é onde os prematuros ficam com suas mães depois que eles saem do período crítico, mas antes de irem para casa. Lá as mães cuidam do bebê em ambiente próximo daquele que ele terá quando receber alta do hospital. Segundo Cláudia, o espaço é importante para ajudar a mãe a se preparar para o cuidado com a saúde do recém-nascido e para o estimulo do desenvolvimento da criança “O projeto de pesquisa pretende testar uma nova abordagem do prematuro e sua família, que começa na Casa do Bebê e continua ao longo do acompanhamento. Nesse acompanhamento, cada família vai receber cinco atendimentos da equipe durante o primeiro ano de vida do bebê. Nós vamos comparar os resultados do grupo que recebeu essa nova intervenção com outro grupo semelhante que não recebeu”, explica.

 

A intervenção será baseada no método Newborn Behavioral Observations (NBO), usado nos Estados Unidos para ajudar as famílias a entender o comportamento do filho e lidar com suas especificidades e sua individualidade. Inicialmente, a intenção é mostrar que o bebê é um indivíduo que tem características próprias e precisa ser cuidado de uma maneira específica. “A proposta é colocar o foco nas necessidades da mãe e potencialidades de seu filho, de acordo com as suas peculiaridades”, explica a professora Cláudia.Segundo ela, é importante reforçar que a mãe é uma pessoa capaz, que conhece bem o filho e que o ajudará a se desenvolver. “Reforçando a mãe, a gente vai reforçar o bebê, um ganho indireto”, avalia. A intenção é demonstrar que quando a mãe está bem estruturada emocionalmente, e problemas como a depressão pós-parto, ansiedade, estresse parental são minimizados, é possível que ela cuide melhor do seu bebê.

 

“Nossa expectativa é incentivar boas práticas de cuidado do bebê, com redução de estresse materno e melhor vinculo mãe-filho, que persistam ao longo dos anos. As mães terão oportunidade de aprender sobre o comportamento do recém-nascido, se familiarizando com os sinais de comunicação do bebê, o que vai facilitar o cuidado e estimular relações mais saudáveis”, avalia a professora Lívia Magalhães.

 

Parceria Brasil – Canadá

O Grand Challenges Canada é um grupo que tem como proposta apoiar ideias inovadoras para o enfrentamento dos grandes desafios mundiais na área da Saúde. É a primeira vez que o edital Saving Brains, para projetos ligados à promoção do desenvolvimento na primeira infância, atende países de média renda, e possibilita a participação do Brasil, em parceria com a Fundação Maria Cecília Vidigal, que já vinha trabalhando e pesquisando sobre o tema. Além da UFMG, foram aprovados um projeto de São Paulo e um de Santa Catarina.

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