Casos de dengue em Minas Gerais são avaliados pela primeira vez

Notícia publicada no Saúde Informa.


Trabalho revisa aspectos da dengue no estado e auxilia nas estratégias de gestão da Saúde


Com o objetivo de auxiliar a tomada de decisões por parte dos gestores de saúde, o médico infectologista Frederico Figueiredo Amâncio desenvolveu uma análise pioneira dos casos de dengue no estado de Minas Gerias. O estudo foi feito em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Ministério da Saúde e Fundação Ezequiel Dias (Funed), e defendido junto ao Programa de Pós-Graduação em Infectologia e Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da UFMG.

“Tínhamos pesquisas feitas em municípios isolados, mas não havia uma avaliação do estado todo. A grande virtude deste estudo foi analisar o estado em sua totalidade e poder determinar áreas com características semelhantes quanto à dengue”, afirma Amâncio. Ele explica que, mesmo apresentando duas grandes epidemias, em 2010 e 2013, com aproximadamente 250 mil e 500 mil casos notificados, respectivamente, pouco era sabido das tendências epidemiológicas da doença no território mineiro. Por isso, teve a preocupação em descrever e analisar as tendências epidemiológicas da dengue em Minas Gerais com ênfase no período de 2001 a 2010, e avaliar possíveis fatores associados ao óbito.

Análise dos dados

O estudo foi dividido em diferentes vertentes que originaram quatro artigos. O primeiro analisou as tendências epidemiológicas, espaciais e virológicas dos casos de dengue em Minas Gerais entre 2001 e 2010, usando como fonte de dados o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Na avaliação, constatou-se que Minas Gerais apresentou aumento da incidência de dengue no período estudado, sendo maior nos grupos etários com idade menor de 15 anos. O maior risco de óbito, porém, foi na população com 65 anos ou mais. O estudo também evidenciou como principais áreas epidêmicas para dengue o triângulo mineiro, as regiões metropolitanas e centro-oeste, e faixa contigua que vai da zona da mata até o norte do estado.

[caption id="attachment_45420" align="alignleft" width="200"]Infográfico_dengue Infográfico: Juliana Guimaraes[/caption]

 

Em uma segunda análise, o autor verificou que cerca de 500 mil casos de dengue foram notificados ao Sinan entre novembro de 2012 e julho de 2013, com maior incidência em adultos jovens e maior taxa de letalidade entre pessoas com 50 anos ou mais. Definida como a maior epidemia de Minas Gerais, o grande aumento de casos e número de óbitos ocorreu, entre outros fatores, pela circulação simultânea dos sorotipos 1 e 4.

O estudo enfatiza que porcentagem significativa dos óbitos ocorreu em pacientes com comorbidades como doença renal crônica, hipertensão e diabetes. Em pacientes com idade igual ou superior a 65 anos, as comorbidades tornam o manejo clínico dos casos de dengue mais complexo e desafiador.

Por fim, dados coletados em nove Unidades de Terapia Intensiva (UTI) mostraram uma alta letalidade de aproximadamente 20%, provavelmente associada à admissão já em fases mais graves da doença. “Outro fator importante é o número alto de pacientes que evoluíram para o óbito sem ser admitidos em UTIs, cerca de 50%, o que não é um problema provavelmente só de Minas, mas também de outras regiões do país”, relata Amâncio.

A ocorrência do óbito por dengue é multifatorial. “Parte dos óbitos são devido às próprias condições clínicas do paciente, como gravidade e comorbidades, parte por causa da dificuldade na assistência associada à limitação de recursos como, por exemplo, a dificuldade de chegar ate uma UTI ou uma unidade de saúde de maior complexidade, e a outra parte por causa da deficiência no manejo clínico dos casos por parte dos profissionais de saúde”, completou.

Frederico Amâncio defende que o desenvolvimento de melhores técnicas de controle do vetor, de uma vacina eficaz aplicável em todas as faixas etárias e uma melhora na assistência prestada aos pacientes são condições fundamentais para diminuir o número de casos e óbitos por dengue.

Auxílio para a gestão

O médico infectologista explica que o grande propósito da pesquisa foi ser um instrumento para auxiliar aos gestores nas tomadas de decisões futuras. “Sabendo as áreas tradicionalmente com maior número de casos podemos prever áreas de maior risco para futuras epidemias. Da mesma forma, sabendo que maior número de óbitos ocorre em pacientes com comorbidades e com idade acima de 65 anos é possível priorizar esses grupos, por exemplo, para campanhas de vacinação”, disse.

Amâncio salienta que todo o material da pesquisa fi cará disponível para a Secretaria Estadual de Saúde para auxiliar no acompanhamento da doença no Estado, podendo facilitar o melhor planejamento e gestão dos serviços de saúde. Como a tese faz parte de um grande projeto do Ministério da Saúde, ainda há outros estudos que estão sendo realizados e outros que serão feitos futuramente para complemento das informações.

 

Título: Dengue em Minas Gerais: epidemiologia, análise de tendências e fatores associados ao óbito

Nível: Doutorado

Autor: Frederico Figueiredo Amancio

Orientadora: Mariangela Carneiro

Coorientadora: Carla Jorge Machado

Programa: Infectologia e Medicina Tropical

Defesa: 16 de dezembro de 2014

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Recomendações sobre sono seguro

Gastrite

Raquitismo