Crianças reproduzem violência que presenciam em casa

Estudo propõe treinamento de pais para pôr fim ao problema


A chamada “Lei da palmada”, aprovada no Congresso Nacional em 2014, proíbe pais de aplicar castigos que causem sofrimento físico, humilhações ou ameaças à criança ou ao adolescente. A medida, que visa promover a resolução dos problemas através do diálogo, quer mudar dados como do Disque 100 da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), de 2013, o qual mostra que 80% da violência à criança acontecem em casa.

Também com o objetivo de diminuir práticas de violência entre pais e filhos, a autora de uma dissertação defendida junto ao Programa de Pós - Graduação em Promoção da Saúde e Prevenção da Violência da Faculdade de Medicina da UFMG, Sandra das Dores Souza, propõe o Treinamento de Pais. Esse treinamento, que utiliza técnicas de modificação comportamentais, foi realizado numa escola estadual no Barreiro, em Belo Horizonte. A atividade contou com a participação de dez pais de alunos indicados pela instituição. Através de encontros semanais, os pais discutiram e refletiram sobre a maneira como lidavam com o mau comportamento dos filhos e foram estimulados a mudar suas práticas educativas, muito ligadas à imagem pessoal e ao modo como foram criados.

Instrumento de diminuição da violência

[caption id="attachment_47695" align="alignleft" width="300"]_22022_slo3 Foto: Reprodução/Internet[/caption]

Para as crianças, os adultos são modelos de comportamento, principalmente os pais ou responsáveis legais. Quando há o uso da violência na sua educação, elas aprendem e usarão com os filhos, criando um ciclo intergeracional desse comportamento. Segundo estudo da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), por exemplo, 70% dos jovens que praticam bullying nas escolas sofreram algum tipo de castigo físico na infância.

“Para muitos pais, educar sem comportamentos violentos pode se tornar uma tarefa complexa e difícil, principalmente para aqueles que trazem consigo uma experiência de educação violenta e têm que enfrentar problemas de comportamento de seus filhos”, explica Sandra.

De acordo com a pesquisadora, os pais participantes do Treinamento no Barreiro acreditavam que o mau comportamento dos filhos não estava ligado ao modo a como eles eram repreendidos ou educados. Durante as reuniões, as discussões abordaram o comportamento violento na relação entre pais e filhos, o limite entre a rigidez e a negociação das regras, o diálogo e castigos e punições. “Por meio da troca de experiências e conselhos compartilhados entre os participantes, eles ficaram mais conscientes das consequências de suas atitudes”, comenta a psicóloga. Segundo ela, os pais perceberam que deviam melhorar seus comportamentos para, então, serem capazes de mudar o comportamento dos filhos.

Pontos como maior aproximação e convívio também resultaram no melhor comportamento das crianças. “O passo mais comentado pelos participantes foi o que propôs usar algum tempo para brincarem com filhos”, afirma a autora. Alguns adultos relataram que após as atividades passaram a valorizar as qualidades dos jovens. “Quando eles fazem isso, ao invés de somente apontar os erros, as relações melhoram muito”, diz.

Para Sandra, se o programa fosse desenvolvido no Sistema Único de Saúde (SUS) e nas escolas poderia contribuir muito para melhoria das relações em casa e, consequentemente, nas instituições de ensino. “Quando não há violência no lar, a criança não a reproduz”, conclui.

 

Título:  O treinamento de pais pode contribuir para a prevenção da violência?
Nível: Mestrado
Autora: Sandra das Dores Souza
Orientadora: Elza Machado de Melo
Coorientadora: Márcia Cristina Alves
Programa: Promoção da Saúde e Prevenção da Violência
Defesa: 2 de agosto de 2013

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