Tempo para diagnóstico de câncer de próstata é maior do que o recomendado

Demora aumenta o risco de morte, principalmente para idosos com comorbidades


Karen Santos*




[caption id="attachment_53507" align="alignleft" width="300"]Foto: Reprodução Internet Foto: Reprodução Internet[/caption]

O tempo de diagnóstico e a demora no início do tratamento foram analisados em uma pesquisa sobre a assistência em saúde prestada ao paciente com câncer de próstata no Sistema Único e Saúde (SUS). A autora, Sônia Faria Mendes Braga, fisioterapeuta especialista em geriatria e mestre em ciências da saúde, apresentou o trabalho como tese de doutorado, defendido junto ao Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da UFMG.

Através da avaliação de dados da Base Nacional em Oncologia, o estudo analisou o tempo decorrido entre a data do primeiro tratamento oncológico ambulatorial e a data do óbito por câncer da próstata ou por outras causas, correspondentes a todos os casos no Brasil no período de 2000 a 2008.

Levando em consideração o índice de sobrevida e os fatores como faixa etária, região de residência e tipo de tratamento, todos associados ao risco de óbito, a pesquisadora afirma que o estudo mostrou que os indivíduos estão sendo diagnosticados tardiamente, ou seja, quando a doença já está em estágio avançado. “O diagnóstico tardio e a demora em dar início ao tratamento reduziram a probabilidade de sobrevida e aumentaram o risco de morte desses indivíduos”, explica Sônia.

Dos pacientes que receberam tratamento oncológico no SUS no período analisado, a pesquisa aponta que cerca de 60% foi diagnosticado nos estágios mais tardios (III e IV). Além disso, o tempo médio de espera para iniciar o tratamento foi de cinco meses, superior aos dois preconizados pela Lei 12.732/12. “Isso pode refletir dificuldades na utilização dos serviços de saúde para a realização dos exames preventivos do câncer, bem como para o acesso à assistência oncológica e ao tratamento oportuno”, expõe Sônia.

De acordo com a especialista, a consequência da demora no diagnóstico e no início do tratamento pode ser percebida no tratamento da doença. A pesquisa aponta que 62% dos pacientes envolvidos na análise receberam tratamento paliativo, que tem como finalidade a melhoria da qualidade no fim da vida do paciente, em detrimento do tratamento curativo.

Saúde do idoso

O câncer de próstata é considerado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) um câncer da terceira idade, já que cerca de três quartos dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. Dessa forma, Sônia aponta outro ponto destacado no estudo que diz sobre o monitoramento da saúde dos idosos quanto a outras doenças.

As chamadas comorbidades, que estão relacionadas ao processo de envelhecimento, podem comprometer um prognóstico mais favorável do câncer e, consequentemente, a probabilidade de sobrevida desses indivíduos. “Isso causa impacto na probabilidade de sobrevida e também no risco de óbito dos pacientes”, afirma Sônia.

Para a especialista, o estudo serve, portanto, como alerta para atenção à saúde do homem no SUS, quanto a principal neoplasia que afeta a população masculina no país e a outras doenças que podem influenciar no processo do tratamento. “Esperamos que o artigo ajude a melhorar e facilitar o acesso ao diagnóstico precoce do câncer de próstata no SUS, bem como iniciar o tratamento em tempo oportuno, evitando o avanço da doença e aumentando as chances de cura dos pacientes”, conclui a pesquisadora.

 

Título: Câncer da Próstata: Sobrevida, Fatores associados ao risco de óbito e tendência de mortalidade no Brasil

Nível: Doutorado

Autora: Sônia Faria Mendes Braga

Orientadora: Mariângela Leal Cherchiglia

Coorientadora: Mirian Carvalho de Souza

Programa: Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública

Defesa: 9 de junho de 2016

*Redação: Karen Santos – estagiária de jornalismo
Edição: Deborah Castro

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